Tópicos da Semana – Edição de sábado – 2/03/19

Publicado em 2/03/2019 00:03

Tópicos da Semana – Edição de sábado – 2/03/19

Por Lelo Sampaio.

Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Trilálá…
A semana começou quente, com o Ministério da Educação, que na segunda-feira, dia 25, enviou um e-mail para as escolas de todo o país pedindo a leitura de uma carta do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, orientando que depois de lido o texto, os responsáveis pelas escolas executassem o Hino Nacional e filmassem as crianças durante o ato. O pedido foi alvo de críticas de educadores e juristas.
Pela pátria
Em nota divulgada por volta das 18:00 horas daquele dia, em seu site, o MEC ressaltou que o comunicado enviado às escolas apresenta um “pedido de cumprimento voluntário”. A pasta afirmou que “a atividade faz parte da política de incentivo à valorização dos símbolos nacionais”.
A carta
De acordo com o Ministério, a carta do ministro tem a seguinte mensagem: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”. Com a citação às frases “Brasil acima de tudo” e “Deus acima de todos”, o ministro retoma em sua carta às escolas a referência ao bordão da campanha de Bolsonaro nas eleições. O presidente também usou a mesma expressão para encerrar seu discurso de posse. O slogan adotado pelo governo é “Pátria Amada Brasil”.
Voluntariamente…
Segundo o MEC, os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro podem enviar filmagens de trechos curtos da leitura da carta e da execução do hino. O Ministério pediu que os vídeos fossem encaminhados por e-mail à pasta e à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República. Eles devem ter até 25 MB e a mensagem de envio deve conter o nome da escola, número de alunos, de professores e de funcionários, informou o ministério em nota.
Críticas
Conforme publicado no G1, a iniciativa do MEC foi alvo de críticas de juristas e educadores. Em nota, o Todos pela Educação afirmou que “são muitos os desafios a serem enfrentados e a carta do MEC pedindo às escolas para filmar os estudantes cantando o hino nacional está distante do que precisa ser foco na Educação. O compromisso deve ser em efetivar a aprendizagem das crianças”. Para Telma Vinha, pedagoga e doutora em educação, o MEC demonstra que não tem um projeto de um enfrentamento dos principais problemas da educação. “Fica muito claro que as medidas mexem nas aparências, nos comportamentos, mas não abordam os reais problemas.”
Filmagem?
Nós, brasileiros, com muito orgulho, pelo menos a grande maioria não vê qualquer problema em cantar o Hino Nacional, até porque alguns de nós o fazemos sempre que ele é tocado em eventos e toda a semana quando assistimos ao nosso time do coração entrando em campo para uma nova vitória. Porém, o que se tem ouvido por aí é que filmar para comprovar que estão fazendo e obrigar as crianças a recitar o slogan de governo, a inspiração só pode ter vindo da Coreia do Norte.
Politicagem?
Evidente que muitos sejam favoráveis que cantem o Hino Nacional nas escolas e ainda volte o juramento à bandeira e as aulas de Educação Moral e Cívica, até porque todos os símbolos da pátria devem ser respeitados, pois uma sociedade que não é patriota não ama seu país. O que é questionável, entretanto, é o uso de imagens para qualquer tipo de divulgação. Tornemos sim nossos jovens patriotas, isso se faz necessário, desnecessário é fazer política com isso.
Ops, errei…
Na terça-feira, dia 26, o ministro da Educação reconheceu que errou ao pedir que as escolas filmassem as crianças cantando o Hino Nacional, sem a autorização dos pais. “Eu percebi o erro, tirei essa frase, tirei a parte correspondente a filmar crianças sem a autorização dos pais. Evidentemente, se alguma coisa for publicada, será dentro da lei, com autorização dos pais”, afirmou. Anteontem, dia 28 de fevereiro, o Ministério desistiu das filmagens.
Slogam retirado
Questionado quando retirou o trecho do slogan, respondeu: “Saiu hoje (terça-feira) de circulação”. E continuou afirmando que “cantar o Hino Nacional não é constrangimento, não, é amor à pátria”, disse. E acrescentou: “O slogan de campanha foi um erro, já tirei, reconheci, foi um engano, tirei imediatamente. E quanto à filmagem, só será divulgada com autorização da família”.
Importante
Talvez o mais relevante fosse dar a esses alunos melhores condições de infraestrutura e segurança nas escolas dos estados e dos municípios, reforço no material e na merenda escolar, além de, no mínimo, ventiladores de teto, pois muitos alunos passam mal dentro de salas de aulas que mais parecem uma sauna.
Colarinhos brancos
E torçamos para que a moda realmente pegue e que chegue até o Congresso Nacional e que passam a fazer essas mesmas filmagens. Até porque hoje em dia, (e este hábito já é antigo) o que vemos são alguns políticos nada respeitáveis cantando o Hino Nacional com lágrimas nos olhos, com uma mão no coração e outra na cueca, segurando a propina.
Fábio Assunção
A doença de Fábio Assunção virou alvo de piadas constantes no mês de janeiro de 2019 e, após o ator transformar toda a maldade em torno da repercussão em uma ação solidária, o público ficou durante semanas tecendo elogios ao artista.
Mas, ao que parece, o suposto apoio que os fãs estavam dando ao famoso tinha prazo de validade, pois as ofensas relacionadas à dependência química do ator voltaram com força total neste fim de semana, quando as comemorações do Carnaval ficaram mais intensas.
Mau gosto
Diversos foliões continuam usando máscaras com o rosto do ator, fazendo uma alusão clara do vício em bebida alcoólica do ator com as extravagâncias que os festeiros costumam fazer nesta época do ano. Mediante tamanha falta de respeito e empatia, diversos artistas usaram o Instagram para se posicionar em defesa de Fábio. Marcelo Serrado puxou a fila e publicou uma foto do amigo com a seguinte legenda: “Além da figura pública, apresento a vocês um ser humano portador de uma doença chamada dependência química. Alguém faz piada com atores que têm câncer? Chega de rirmos da dor alheia e de fazermos piadas disso! Todo meu amor e torcida ao meu amigo querido”.
Plano Real
Depois de quase 25 anos do Plano Real, a nota de R$ 100,00 que em julho de 1994 pagava o valor de um salário mínimo e ainda sobrava troco, vale agora R$ 16,75. Em julho de 1994 o salário mínimo era de R$ 64,79. Hoje são necessárias dez notas para pagar o mínimo de R$ 998,00. Isso significa que para adquirir a mesma quantidade de mercadorias e serviços que R$ 100,00 compravam em 1994, o consumidor precisa desembolsar R$ 596,88, um valor quase seis vezes superior.

Última Edição