Tópicos da Semana – Edição de 4/05/19

Publicado em 5/05/2019 00:05

Por Lelo Sampaio.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Mortes repentinas

Nesta semana tivemos dois casos de mães que perderam seus filhos repentinamente e que nos chamaram muito a atenção, sem contar, é claro, o caso da modelo Caroline Bittencourt. O primeiro, com grande repercussão, foi a do jovem modelo Tales Cotta, que morreu no último sábado (27) durante um desfile na São Paulo Fashion Week. Tales caiu na passarela durante o desfile da marca gaúcha Också, foi atendido por socorristas e levado ao hospital, mas não resistiu. O caso ocorreu em uma das semanas de moda mais importantes do mundo e repercutiu também fora do país.
‘Secura’

Poucos instantes após o início do velório, na manhã da última segunda-feira (29), Heloisa Cotta, mãe do modelo, deu uma entrevista a uma repórter de televisão que deixou algumas pessoas se perguntando como uma mãe pode estar tão “tranquila” estando velando o corpo do próprio filho. Pessoas próximas afirmam que ela, o filho e a filha são espíritas e, como tal, não se desesperam diante da morte, uma vez que acreditam que a vida não acaba após a morte do corpo físico.
Em Urânia

A mãe de Devanir Senildo Zanoni, de 41 anos, que morreu na segunda-feira (29), na linha férrea que corta Urânia, faleceu na manhã da última terça-feira (30), enquanto acompanhava o velório do filho. A senhora Maria Aparecida Zanoni chegou a ser socorrida, mas não resistiu. A causa provável seria infarto fulminante. Velar um filho realmente deve ser uma das maiores dores do mundo, e não se mede aqui a dor desta mãe e tampouco o entendimento de morte da mãe do modelo e muito menos a dor de ninguém, pois estamos falando de crenças, inclusive para os ateus que não creem em Deus ou em qualquer ‘ser superior’.
Espiritismo

Há quem diga que o Espiritismo defende a continuação da vida após a morte num novo plano espiritual ou pela reencarnação em outro corpo. Aqueles que praticam o bem evoluem mais rapidamente. Os que praticam o mal recebem novas oportunidades de melhoria através das inúmeras encarnações. Creem na eternidade da alma e na existência de Deus, mas não como criador de pessoas boas ou más. Deus criou os espíritos simples e ignorantes, sem discernimento do bem e do mal. Quem constrói o céu e o inferno é o próprio homem.
E mais…

Pela teoria, todos os seres humanos são espíritos reencarnados na Terra para evoluir. A morte seria apenas a passagem da alma do mundo físico para a sua verdadeira vida no mundo espiritual. E mesmo no paraíso, acredita-se que o espírito esteja em constante evolução para o seu aperfeiçoamento moral. As almas dos mortos ligam-se umas às outras, em famílias espirituais, guiadas pela sintonia entre elas. Consequentemente, os lugares onde vivem possuem níveis vibratórios diferentes, sendo uns mais infelizes e sofredores, e outros mais felizes e plenos.
Catolicismo

Muitos católicos afirmam crer que a vida depois da morte está inserida na crença de um Céu, de um Inferno e de um Purgatório. Dependendo de seus atos, a alma se dirige para cada um desses lugares. A alma é eterna e única. Não retorna em outros corpos e muito menos em animais. Crê na imortalidade e na ressurreição e não na reencarnação da alma. A Bíblia ensina que morreremos só uma vez e, ao morrer, o homem católico é julgado pelos seus atos em vida. Se ele obtiver o perdão, alcançará o céu, onde a pessoa viverá em comunhão e participação com todos os outros seres humanos e, também, com Deus.
Condenação

Se for condenado, vai para o inferno. Algumas almas ganham uma chance para serem purificadas e vão para o purgatório, que não é um lugar, e sim uma experiência existencial da pessoa. Quem for para o céu ressuscitará para viver eternamente. Depois do Juízo Final, justos e pecadores serão separados para a eternidade. Deus julga os atos de cada pessoa em vida de acordo com a palavra que revelou através de Seu Filho, com os ideais de amor, fraternidade, justiça, paz, solidariedade e verdade.
Igreja evangélica

Como no Catolicismo, os evangélicos acreditam no julgamento, na condenação (céu ou inferno) e na eternidade da alma. A diferença é que o morto faz uma grande viagem e a ressurreição só acontecerá quando Jesus voltar à Terra, na chamada ‘Ressurreição dos Justos’, ou, então, aqueles que forem condenados terão uma nova chance de ressurreição no ‘Julgamento Final’. Os que morrerem sem Cristo como seu Deus também receberão um corpo especial para passar a eternidade no lago de fogo e enxofre.
Candomblé

Não existe uma concepção de céu ou inferno, nem de punição eterna. As almas que estão na terra devem apenas cumprir o seu destino, caso contrário vagarão entre céu e terra até se realizar plenamente como um ser consciente e eterno. O Candomblé vê o poder de Deus em todas as coisas e, principalmente, na natureza. Morrer é passar para outra dimensão e permanecer junto com os outros espíritos, orixás e guias. Trabalha com a força da natureza existente entre terra (Aìyê) e o céu (Òrun). Nos cultos afros, o assunto de vida após a morte não é bem definido. Na Terra, o objetivo do homem é realizar o seu destino de maneira completa e satisfatória. Ao cumprir o seu destino na Terra, o ser humano está pronto para a morte. Após a morte, o espírito será encaminhado ao Òrun, para uma dimensão reservada aos seres ancestrais, ou seja, eternos. O ser humano pode ser divinizado e cultuado. Caso o seu destino não seja cumprido, os espíritos ficarão vagando entre os espaços do céu e da terra, onde podem influenciar negativamente os mortais. Como não se realizaram plenamente, estes espíritos estão sujeitos à reencarnação. Já as pessoas vivas que sofrem as suas influências negativas, precisam passar por rituais de limpeza espiritual para reencontrar o equilíbrio.
Retorno

Ressalta-se aqui que a ideia não é fazer apologia a qualquer religião, até porque todas merecem respeito, até mesmo os ateus. Devemos, sim, entender que todos estamos regidos por uma força maior e que aqui estamos só de passagem, e mais: a lei do retorno é implacável.

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