Tópicos da Semana – Edição de 7/03/20

Publicado em 7/03/2020 00:03

Por Lelo Sampaio
Charge: Leandro Gusson (Tatto)

Bomba de gás e spray de pimenta
A Polícia Militar usou bombas de gás, bala de borracha e spray de pimenta durante uma confusão com servidores estaduais que protestavam em frente à Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (Alesp) na manhã da última terça-feira (3). O problema ocorreu após um grupo de manifestantes que estava do lado de fora do prédio tentar entrar para acompanhar a votação da reforma da Previdência. Os corredores da Casa já estavam lotados de servidores contrários à PEC. O projeto foi aprovado com 59 votos a favor. A Tropa de Choque da PM cercou o prédio e fechou as entradas. Logo após, usou bombas de gás e spray de pimenta para forçar a saída dos servidores que lá estavam para assistir a votação. Alguns juízes também foram forçados a ser retirar por livre e espontânea pressão de pimenta.
Anarquistas????
Mesmo assim, o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), afirmou que a ação da polícia foi correta e que um pequeno grupo de ‘black blocks’ (anarquistas) atrapalhou a manifestação legítima dos servidores ao tentar entrar no plenário. “Os manifestantes vieram aqui de maneira legítima colocar suas posições, sejam elas contrárias ou favoráveis à reforma. Assistiram o palco de uma depredação por parte de alguns poucos ‘black blocks’ e alguns vândalos que acabaram se juntando aos blocks que quebraram muitas coisas dentro da sede do poder legislativo. A Polícia Militar agiu corretamente na maneira de garantir a ordem e o direito democrático dos parlamentares de fazerem e realizarem o seu voto”, afirmou Macris.
Porém…
A deputada estadual Professora Bebel (PT), ligada ao Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) disse que pelo menos vinte servidores da educação ficaram feridos na ação da polícia. Bebel negou que os professores tenham depredado o prédio, como justifica a presidência da Casa ao ser questionada sobre o uso da força pela Polícia Militar dentro Alesp. “Os professores não estavam armados, eles estavam assistindo à votação dentro da sala. A própria polícia causou isso atirando”, declarou a parlamentar. Os santafessulenses que lá também estiveram também negaram tal afirmação de Macris.
Santo do pau oco
No início da tarde daquele mesmo dia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), usou sua conta nas redes sociais para comentar a aprovação. “Parlamentares que honraram os votos que receberam nas urnas, permitindo que o Governo de SP tenha equilíbrio fiscal e recupere sua capacidade de investimento. O gasto com a previdência em SP já é maior que o orçamento da saúde, segurança e educação”, disse.
Pinóquio
Acontece que durante sua campanha eleitoral, João Dória, em um debate realizado pelo SBT, foi extremamente categórico ao afirmar que “eu valorizo, sim os servidores públicos. Não vamos mexer na Previdência. Ela já foi feita e foi feita com muito cuidado, com muito zelo pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na gestão Geraldo Alckmin. Os servidores públicos do Estado de São Paulo são valorosos, são dedicados, pessoas importantes que amam o que fazem e eles serão prestigiados”. Ou seja, durante a campanha diz mil maravilhas para depois, de forma vergonhosa, fazer justamente o contrário. Realmente não se pode acreditar num ser como este.
Doutor Braga
Em sua página do Facebook, o Juiz de Direito da Comarca de Santa Fé do Sul, Doutor José Gilberto Alves Braga Junior, escreveu que “Itamar Borges, Carlão Pignatari, Analice Fernandes e Roque Barbieri. Deputados da nossa região que votaram a favor do governador e contra o funcionalismo público. Seus votos poderiam ter mudado o resultado da votação! E nem venham com discursos políticos. Vossas Excelências não ouviram ninguém. Que fiquem com o governador, então! A vida segue e o mandato é de quatro anos”. Vale a pena refletir.
Charlatanismo?
A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre abriu, na última segunda-feira (2), um inquérito para investigar a possibilidade de charlatanismo na divulgação de um culto da igreja Catedral Global do Espírito Santo, na Capital, que, supostamente, prometeu a imunização de doenças, citando o coronavírus. O culto foi realizado no último domingo (1º). No panfleto de divulgação, a igreja anuncia: “O poder de Jesus contra o coronavírus: venha porque haverá unção com óleo consagrado no jejum para imunizar contra qualquer epidemia, vírus ou doença”.
“Trombeta de Deus”
Conforme a delegada Laura Lopes, o inquérito foi instaurado para apurar a possibilidade de crime de charlatanismo, que, conforme o Código Penal, seria “inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”. O culto foi filmado e está disponível na internet. Nas imagens, o pastor Sílvio Ribeiro diz que “se você tem o Espírito Santo, a doença vai cair quando chegar em você. O Brasil vai pegar esse demônio aí pelo sangue de Jesus. Não vai ser casa de demônio”. Em outro momento, exclama: “o coronavírus é a trombeta de Deus proclamando arrependei-vos (repete). O que é o coronavírus? Não é pra ti (repete), eu vou profetizar, ninguém que é lavado, remido, redimido, perdoado, justificado, inspirado, ungido, lavado, salvado pelo sangue de Jesus, vai morrer”, afirma.

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