Tópicos da Semana – Edição 13/01/18

Publicado em 13/01/2018 00:01

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Sou o melhor!!!

O grande bafafá das últimas semanas tem sido a respeito de uma empresa de Jales que teria feito uma pesquisa online para saber quais são as “melhores” empresas de Santa Fé. Nove entre dez comerciantes do município comentam sobre o fato de alguns profissionais ou empresas da cidade estarem divulgando o Prêmio ‘Destaques do Ano 2017’, prêmio este que é já realizado neste município pelo segundo ano consecutivo. Segundo a empresa que realiza as pesquisas, o trabalho consiste em reconhecer e premiar as empresas mais lembradas pela população em suas respectivas categorias por meio de votação. Segundo os organizadores, nada é pago para ser o “destaque”, apenas para participar do “jantar de entrega do título” e ter seu nome divulgado em jornais e revistas.
Reclamação

Segundo uma internauta, ela e seus familiares realizavam suas compras em algumas empresas de Santa Fé, mas deixaram de assim fazer. “Não piso os pés, não deixo minha família pisar e não indico para ninguém, porque não vou apoiar quem faz parte de um prêmio fajuto, onde a ‘empresa destaque’ tem que pagar uma quantia para ser a melhor. Acredito que existam outras empresas que são ótimas e que ralam para vender e satisfazer o gosto da população”, afirma ela na publicação em uma rede social.
Indignação

Ainda indignada, ela afirma que “acho que alguma autoridade ou responsável pela Associação Comercial ou pelo comércio deveriam fazer alguma coisa aí em Santa Fé para coibir isso, porque aqui em Ilha Solteira não tem isso não, e, se quiser fazer, tem que prestar contas antes, e sair entrevistando mesmo a população e não deve pedir dinheiro para entregar o título”.
Outro

Um antigo comerciante da cidade, muito respeitado por sinal, disse que já fora escolhido algumas vezes. Entretanto, como neste ano não pagou, não foi “o melhor”. Indignado, ele pede que os donos de estabelecimentos comerciais não “caiam nessa, não comprem para ser o ‘melhor’”, até porque, segundo ele, como não desembolsou o que seria uma verdadeira ratonice, não foi classificado como a melhor empresa.
Mais

Dentre tantas reclamações, há um relato de uma empresária que diz ter sido escolhida, que recebeu uma ligação sendo informada que teria sido a “numero um”. Contudo, como não aceitou a proposta de pagar os R$ 1.500,00 pelo jantar, seu nome não foi citado, e seu ego não foi, por fim, massageado.
Associação Comercial

Para o presidente da Associação Comercial e Sincomercio de Santa Fé do Sul, Norio Kobayashi, há dois aspectos a serem considerados, e um deles é o comercial, haja vista que as empresas não citadas como “melhores” têm suas qualidades diminuídas perante o mercado, o que causa prejuízo, uma vez que a imagem é um dos maiores patrimônios da empresa.
Persuasão

Do ponto de vista do consumidor, ainda segundo ele, a divulgação de um resultado baseado em pesquisa induz o consumidor a acreditar que esta ou aquela empresa de fato é a melhor do mercado, segundo métodos e parâmetros cientificamente fundamentados. Quando tal fundamentação não existe e não é divulgada com transparência, o consumidor fica vulnerável e sujeito a propagandas enganosas, o que é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor.
É coisa séria

Para se ter uma ideia mais ampla da questão, a Justiça Eleitoral, por exemplo, quando do momento que antecede as eleições, exige registro prévio e de depósito de toda a metodologia aplicada em qualquer pesquisa, até porque sabe-se que uma pesquisa de intenção de votos influencia os eleitores indecisos. No caso da pesquisa comercial, pode influenciar os consumidores na decisão de compra.
Quis saber…

No ano retrasado, a Associação Comercial de Santa Fé oficializou a empresa de Jales informações sobre a metodologia, abrangência, amostra, resultado e se todas as empresas divulgadas haviam pago algum valor ou se algumas delas nada pagaram por terem sido escolhidas. Entretanto, a referida empresa nada respondeu. Sendo assim, acredite quem quiser…
Alí, ó…

Eis que há uma cidade vizinha que tem mania de grandeza e vive de aparências, até mais que Santa Fé. O que lá é uma galeria, chamam de shopping; um jantar, um banquete, e por aí vai. Vivem em uma Paris tupiniquim e juram que tudo que há lá é melhor que cá.
E os melhores?

Se gostam de viver de aparências, devemos ser mais espertos e não cair mais nessa. Pesquisas sérias e de rua, feitas sobre alguns seguimentos, mostram justamente o contrário.
Chega, né?

Os comerciantes e principalmente os consumidores parecem que não estão mais caindo, como estão dizendo os internautas, no que seria “o conto do vigário”. Oras, porque não levar ao jantar, e apresentar à sociedade, os segundos, terceiros ou quartos colocados de cada seguimento? Só podem comparecer os “melhores”?

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