Tópicos da Semana – Edição de 14/03/20

Publicado em 14/03/2020 00:03

Por Lelo Sampaio

Ui, que susto
Parece mesmo que a Secretaria Municipal de Saúde de Santa Fé do Sul está atemorizando toda a população da cidade e região no que se refere ao coronavirus. Evidentemente que todo o cuidado é pouco, e a Secretaria Municipal de Saúde, assim como os médicos, como sempre, tem provado realizar um trabalho de eficiência. O fato é que não é porque o indivíduo foi para o exterior e voltou com febre que ele já deve ser internado e ficar em isolamento, como foi o caso que ocorreu na semana passada. Ou seja, se vamos à Europa, nos desidratamos e, chegando aqui, apresentamos febre e imediatamente seremos postos em isolamento? Há controvérsias.

Nem tão pânico assim
Em São Paulo, em conversa com várias pessoas nesta semana, verificamos que não existe pânico. Não se vê pessoas com máscaras, não se percebe pessoas amedrontadas nos ônibus ou metrô. Motoristas de táxi e de aplicativos foram unânimes em afirmar que trata-se, sim, de uma questão de saúde pública, mas que não há motivos (ainda) para pânico, ou seja, não há pânico por lá.

Quando ir ao hospital
Já o coordenador do centro de contingência criado em São Paulo para monitorar o coronavírus, o infectologista David Uip, descartou a possibilidade de internar pacientes com covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV2). Segundo ele, hospital é para doente grave. “Paciente com poucos sintomas, tem que ficar em casa, não tem que procurar serviço de saúde. Tossiu, espirrou, teve febrinha, fica em casa. Quando ele deve procurar o serviço de saúde? Quando ele tiver um desconforto maior, a febre voltou, se prolongou mais de 48 horas, ele deve procurar porque talvez tenha um processo bacteriano” disse Uip.

Necessidade/questão social
O secretário estadual da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, reafirmou que a opção de internar leva em conta outros fatores. Para ele, o que coloca a pessoa em um tratamento intra-hospitalar ou em um atendimento intra-hospitalar não é a presença do vírus, é a condição clínica que ele está apresentando naquele momento, e isso não significa que não se deve buscar atendimento. Segundo Germann, se a pessoa tiver necessidade, ele deve procurar o serviço de saúde e, se for o caso, ela vai ser internada. Agora, mantê-lo internado, porque ele não tem onde ficar é uma questão social, não é uma questão de saúde. “Então, não vamos seguir esta política”.

Complicações
Helena Sato, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria reforçou que a internação de pessoas infectadas pelo coronavírus deve ocorrer apenas para aqueles que apresentarem complicações: “Os outros comunicantes serão acompanhados em seus domicílios, por telefone. Dependendo do município, se for menor e o número de casos for menor, a equipe do município vai ao seu domicílio e vai avaliar diariamente por 14 dias cada um destes comunicantes”.

Vulnerabilidade
David Uip ressaltou que pessoas que podem apresentar complicações devem ser monitoradas de perto. Segundo ele, deve-se haver uma atenção especial para os grupos mais vulneráveis, como as pessoas com mais de 60 anos e especialmente as com mais de 80 anos, e aqueles pacientes com comorbidades: cardíaco crônico, pulmonar, nefropata, diabético e paciente em tratamento oncológico. “Estes precisam ser mais cuidadosos e buscar o serviço de saúde se entenderem que há o agravamento dessa infecção inicial”.

Por outro lado…
Na última quarta-feira (11) a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Segundo o órgão, o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos deve aumentar nos próximos dias e semanas. Apesar disso, os diretores ressaltaram que a declaração não muda as orientações, e que os governos devem manter o foco na contenção da circulação do vírus. Entretanto, o diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, ressaltou que a declaração não significa que a OMS vá adotar novas recomendações no combate ao vírus.

Etapas
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou que no Brasil há casos confirmados com transmissão local, ou seja, casos de pessoas que se infectaram com Covid-19, não estiveram em qualquer país com registro da doença, mas tiveram contato com outro paciente infectado, que trouxe o vírus de fora do país. Até agora o que houve foi a transmissão sustentada, ou seja, casos de transmissão do vírus entre a população – um paciente infectado que não esteve nos países com registro da doença transmite a doença para outra pessoa, que também não viajou, como está acontecendo na China, Coreia do Sul e Itália. O problema é que esta pode ser a próxima etapa. E que esta etapa não chegue a nós.

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