Tópicos da Semana – Edição de 16/11/19

Publicado em 16/11/2019 00:11

Por Lelo Sampaio
Charge: Leandro Gusson (Tatto)


Sai pra lá

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai sair do PSL e criar um novo partido. A crise no PSL vem desde fevereiro. Alegando o caso de laranjas no partido, Bolsonaro derrubou o então ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, que respondia pelo PSL na época da eleição, mas preservou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, presidente da Executiva Regional em Minas, também envolvido no laranjal do partido. Marcelo Álvaro Antônio foi denunciado pelo Ministério Público, mas o processo segue em segredo de Justiça. Consta que o presidente deva levar ao menos 30 deputados para a nova sigla.

Em Santa Fé
Aqui em Santa Fé do Sul ocorrerá uma sucessão de filiados do PSL, justamente aqueles que afirmaram que assim o fizeram não por Bolsonaro, mas sim por ideologia ao partido, pulando do barco. Vamos ver até quando os princípios partidários falarão mais alto. Esperemos…Como disse um internauta, o PSL de Santa Fé já afundou na lama sem mesmo antes de chegar na água.

Atritos
Desde o início do mandato, os atritos dentro do partido só cresceram. O próprio presidente Jair Bolsonaro deu o “start” que provocou o racha irreparável. Disse a um apoiador para esquecer o presidente do PSL, Luciano Bivar, porque ele estaria queimado.

Babafá
O fato ocorrera em 10 de outubro, o apoiador que se apresentou como pré-candidato pelo PSL em Recife (PE) foi orientado pelo presidente a esquecer do partido. O diálogo ocorreu enquanto o presidente cumprimentava simpatizantes na saída do Palácio da Alvorada. O canal no YouTube “Cafezinho com Pimenta”, que apoia o presidente, transmitiu a conversa pela rede social – Apoiador: Bolsonaro, Bolsonaro, eu sou de Recife, sou pré-candidato do PSL. Bolsonaro (cochichando no ouvido do apoiador): Esquece o PSL, tá ok? Esquece. Apoiador: Eu, Bolsonaro e Bivar. Juntos por um novo Recife. Aê! Bolsonaro: Cara, não divulga isso não, cara. O cara tá queimado para caramba lá. Entendeu? E vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara. Esquece o partido.

Áudio vazado
Dias depois, Bivar foi alvo de uma operação da Polícia Federal no caso das candidaturas laranjas em Pernambuco. O PSL se dividiu em dois grupos: os de Bivar e os de Bolsonaro. Foi uma guerra em torno da liderança do partido, e ainda vazou um áudio do presidente pedindo apoio para o filho Eduardo Bolsonaro. Houve troca de acusações, diferentes listas de apoios. O delegado Waldir acabou perdendo a liderança, hoje ocupada por Eduardo. O Planalto ainda substituiu a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann.

Auditoria já!
Jair Bolsonaro seguiu cobrando auditoria nas contas do partido. O presidente do partido, Luciano Bivar, disse que mostraria os números e abriu um processo para tentar expulsar os infiéis. Nessa conta, tem o milionário fundo partidário: quase R$ 80 milhões só em 2019, e três vezes mais com o fundo eleitoral em 2020.

Retaliação?
Em viagem a Ásia, Bolsonaro chegou a tratar a crise como ferida que passa. Coincidência ou não, na última segunda (11), o presidente assinou uma MP acabando com o DPVAT a partir de 2019. O blog do jornalista Valdo Cruz mostrou nesta terça que atingiu em cheio os negócios de Bivar, que “é sócio de uma seguradora que atua no segmento, credenciada pelo governo para atuar na cobertura do DPVAT”. Em conversa com aliados, Luciano Bivar disse que já sabia que o governo iria extinguir esse seguro.

E vem o novo partido
A ala bolsonarista foi chamada ao Planalto para uma reunião decisiva. Foi quando Bolsonaro anunciou sua desfiliação do PSL, o oitavo partido de sua carreira política. E o nono partido está a caminho: deve se chamar Aliança pelo Brasil. Mas, até que se crie mesmo esse novo partido, o presidente vai ficar sem partido e os seus aliados permanecem no PSL, aguardando a hora de sair.

Cautela
As vagas dos deputados pertencem ao partido, até porque se saírem agora, correm o risco de perder o mandato. Mesmo assim, Eduardo Bolsonaro já começou a publicar várias mensagens em rede social citando o nome do partido que será criado.
O caso do senador Flávio Bolsonaro, outro filho do presidente, é diferente. Como senador é cargo majoritário, ele não perde o mandato e já protocolou o pedido de desfiliação.

Receio
A expectativa do líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), é que esse movimento não atrapalhe as votações de interesse do governo no Congresso. “Nós queremos criar um partido para que essa relação fique mais estável. Imagine o partido do presidente da República com dúvidas sobre apoiar ou não as teses do governo”, afirmou Vitor Hugo.

Laranjal
O caso das supostas candidaturas laranjas do PSL mineiro seguem em segredo de Justiça. A Justiça Eleitoral concedeu habeas corpus para quatro candidatas que teriam sido usadas para desviar dinheiro do partido e que tinham sido indiciadas pela Polícia Federal. Os indiciamentos do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e de outros dirigentes do PSL mineiro foram mantidos. O Ministério Público no estado também investigou o caso e denunciou o grupo. O ministro Marcelo Álvaro Antônio tem negado qualquer irregularidade nas eleições de 2018.

PEC
Um grupo de 43 senadores (53% do total), que já havia assinado uma carta destinada ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, a favor da manutenção da prisão em 2ª instância, quer ver a PEC do senador Oriovisto Guimarães votada em plenário até a semana que vem.

2ª instância
A PEC defende a validade da prisão em 2ª instância, mas, no caso de haver recurso para os tribunais superiores, como o STJ e STF, o juiz pode atribuir ao recurso o chamado efeito suspensivo, isso para que o réu não seja obrigatoriamente preso depois de condenado em segundo grau. Desta forma, os senadores acreditam que a prisão está garantida, mas fica aberta uma janela para casos excepcionais, conforme decisão do juiz de cada caso.

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