Tópicos da Semana – Edição de 18/05/19

Publicado em 18/05/2019 00:05

Por Lelo Sampaio.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Vacas magras

Parece mesmo que o município de Santa Fé do Sul já está sentindo na pele a queda de receitas de um modo geral (englobando todas as fontes), aliado ao aumento dos custos administrativos. Não se diz aqui que a receita do município tenha diminuído, pelo contrário, o problema está no crescimento altíssimo dos custos operacionais fixos, como energia elétrica, aluguéis, combustíveis, material de limpeza, despesas com pessoal, telefones, subvenções, transportes e outras demandas próprias da administração que cresceram muito além da inflação.
Apertando os cintos

Desta feita, o prefeito Ademir Maschio terá que apertar os cintos para fechar o ano no azul, haja vista que os municípios, assim como o Estado e a União, são reféns dessa situação, que se perdurar por mais tempo, também vai inviabilizar os projetos, investimentos e custeios da atual administração, forçando o prefeito a conter gastos, efetuar cortes e segurar investimentos, ou seja, tentar fazer mais, com menos.
Otimismo fugaz

Segundo Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, após a eleição de Jair Bolsonaro houve um princípio de otimismo na economia, mas a seguir, os agentes do mercado entenderam que o país não tinha uma trajetória fiscal compatível e, desta feita, o Brasil ainda não conseguiu se livrar das incertezas econômicas. E mais, o país só vai melhorar quando forem implementadas as reformas Tributária, fiscal e previdenciária, de que tanto precisamos.
Mais dinheiro!!!

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, com a anuência do presidente Bolsonaro foi ao Congresso pedir aval para extrapolar ainda mais o orçamento da união, ou seja, “aumentar o cheque especial do país” (nossa dívida interna), uma autorização para gastar mais, sob pena de se paralisar investimentos destinados à Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura, além de não ter dinheiro mais para bancar as aposentadorias, bolsa família e outros programas assistenciais.
Tartarugando

Nossa economia está quase paralisada e dizer que o nosso PIB vai diminuir e vamos crescer algo em torno de 1,5% (como disse o próprio governo) – isso diminui as receitas federais, estaduais e municipais, forçando os governos a reduzirem custos, como qualquer empresa, com cortes drásticos em sua máquina administrativa.
Haja pose!

E por falar em política municipal, grande parte dos vereadores de Santa Fé e algumas pseudo autoridades parecem mesmo que não aprendem a lição de casa, que é a de efetivamente trabalhar pelo município e deixar o tal do Facebook de lado. Por ocasião da abertura da Aquishow 2019, na última terça-feira (14), lá estavam alguns nas fotos, de peitos inflados, ao lado dos organizadores ou de outras autoridades que julgam eles ser mais importantes que até o Papa. Não desgrudam do lema “participei do evento tal”, como se a população tivesse interesse em saber que tal vereador “marcou presença” em determinado acontecimento. Quanta pouquisse!!!
Os idiotas foram às ruas

Pelo menos 222 cidades do Brasil tiveram manifestações na última quarta-feira (15), contra o bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC), ou seja, um bloqueio de 24,84% dos gastos não obrigatórios dos orçamentos das instituições federais. Essas despesas incluem contas de água, luz e compra de material básico, além de pesquisas. Houve atos em todos os estados do país e também no Distrito Federal. Foi a primeira grande onda de manifestações durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, pouco mais de quatro meses após ele ter tomado posse. Em Dallas (EUA), Bolsonaro classificou os manifestantes de “idiotas úteis” e “imbecis”.
“Inuteu”

A música do compositor Roger Moreira, líder da banda Ultraje a Rigor e lançada em 1985, e que parece mesmo retratar um mal que se arrasta por muitas décadas neste país, diz que “A gente não sabemos escolher presidente; A gente não sabemos tomar conta da gente; A gente não sabemos nem escovar os dente. Tem gringo pensando que nóis é indigente. “Inúteu”! A gente somos “inúteu”! O fato é que realmente nos últimos tempos não estamos tendo discernimento para escolher nossos representantes…
Cortando justamente o essencial

A educação é o pilar de uma sociedade desenvolvida e quem dedica sua vida a melhorá-la merece todo nosso respeito e admiração. Ela é um direito fundamental que ajuda não só no desenvolvimento de um país, mas também de cada indivíduo. Sua importância vai além do aumento da renda individual ou das chances de se obter um emprego, haja vista que por meio dela garantimos nosso desenvolvimento social, econômico e cultural.
Os deputados estão bem, obrigado

Alguns até dizem que os referidos cortes são fundamentais neste momento de crise profunda. Entretanto, somente com parlamentares, por mês, são mais de R$ 91,8 milhões gastos com os salários, benefícios e privilégios dos deputados federais. Em média, cada deputado custa R$ 179 mil por mês ao país. São R$ 33,7 mil de salário; R$ 1,4 mil de ajuda de custo; entre R$ 30,4 mil e R$ 45,2 mil de cotão (valor que varia de estado para estado e que é usado para gastos como passagens aéreas, fretamento de aeronaves e alimentação do parlamentar); auxílio-moradia de R$ 4,2 mil ou apartamento funcional; e R$ 101,9 mil de verba de gabinete para até 25 funcionários. Com R$ 1 bilhão por ano, seria possível construir hospitais e escolas pelo Brasil e investir nas universidades. Tudo que pedimos é que deputados e senadores tenham um salário justo, condizente com o cargo que ocupam. Eles deveriam ter de contribuir com a Previdência por 35 anos e usar seus próprios carros, pagar sua própria gasolina, assim como qualquer cidadão, sem contar as roubalheiras e mais roubalheiras dos ratos famintos.
Redes sociais

Diferentemente do que se via na última campanha eleitoral, hoje as redes sociais têm mostrado frases de efeito, como “Reaja, mito. Estamos que nem mais aguentamos de tanto ficarmos escondidos por falta de argumento para amenizar as coisices do seu governo”, ou ainda, quando se referem ao ex-juiz Sérgio Moro,“E pensar que arrumamos briga com amigos por defendê-lo quando escrevemos que ele era um dos grandes heróis da nação”, e mais “Diante do desmonte da educação, queremos saber do paradeiro daquelas milhões de pessoas que encheram as ruas do Brasil em 2013 pedindo saúde e educação padrão Fifa”, ou ainda “Até ‘ontem’ queriam o fim do STF, agora querem uma vaga para Moro…”.

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