Tópicos da Semana – Edição de 2/05/20

Publicado em 2/05/2020 00:05

Por Lelo Sampaio
 
Covid oque?
É sabido que muitas pessoas ainda não acreditam nesta pandemia que está ceifando vidas por todo o planeta, assim como também é notório que muitos indivíduos acreditam que o novo coronavírus, causador da Covid-19, não é grave e, desta forma, ainda não estão tomando medidas de proteção, como o isolamento social. Muitos detonam os governantes que decretaram a quarentena e pensam que essa “historiazinha” é meramente uma briga política, que estão querendo derrubar o governador, o presidente, o prefeito, e por aí vai.
 
A cara da morte
Talvez isso esteja acontecendo justamente porque essas mesmas pessoas ainda não viram a cara da morte, não têm conhecimento de alguém que esteja em uma UTI respirando com ajuda mecânica e que “isso daí” será muito bem resolvido em Santa Fé do Sul. Movidas por seus políticos de estimação, essas pessoas os idolatram de tal forma que aceitam e acreditam em tudo o que eles fizerem ou falarem, algo, talvez nunca dantes visto. Estamos vivendo uma época ensandecida, politicamente falando.
 
Temos remotos
Voltemos então para os anos 20 para falarmos de uma doença atualmente muito conhecida, a Acquired immune deficiency syndrome (Aids) ou a Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida (Sida), doença causado pelo vírus HIV, sigla em inglês do Vírus da Imunodeficiência Humana.
 
A Aids
Entre as décadas de 1960 e 1980, começaram a surgir casos de doenças que os médicos não conseguiam explicar. Os pacientes apresentavam uma combinação de doenças que incluíam, geralmente, sarcoma de Kaposi (um tipo de câncer), fadiga, perda de peso, baixa imunidade e pneumonia. A infecção por HIV só foi identificada em 1981, mas os pesquisadores acreditam que a primeira transmissão dos macacos para os seres humanos possam ter ocorrido na década de 1930. A primeira morte comprovada pela Aids foi de um homem no Congo, em 1957, mas a comprovação só veio décadas depois, com a realização de exames em sangue preservado.
 
Pneumonia
Em 1977, mais precisamente em 12 de dezembro, morre, aos 47 anos, a médica e pesquisadora dinamarquesa Margrethe P. Rask. Ela havia estado na África, estudando o Ebola, e começara a apresentar diversos sintomas estranhos para a sua idade. A autópsia revelou que seus pulmões estavam cheios de microorganismos que ocasionaram um tipo de pneumonia.
 
Paciente zero
Em 1982, pesquisadores do CDC estavam colhendo dados a respeito de nomes de pessoas homossexuais que houvessem mantido relações sexuais entre si, a fim de mapearem aquela doença, até então não compreendida em relação à sua forma de transmissão. Grande parte das pessoas entrevistadas relata haver conhecido um mesmo homem, um comissário de bordo de origem franco-canadense, Gaetan Dugas. Mais tarde este homem passou a ser conhecido como o paciente zero, a partir de quem a doença teria cruzado o oceano atlântico.
 
No Brasil
No Brasil, os primeiros sete casos confirmados ocorreram em São Paulo, todos pacientes de prática homo/bissexual, tendo sido o Hospital Emílio Ribas a atendê-los. Os pesquisadores ainda não haviam chegado a um consenso sobre o nome para aquela doença, que era tratada pela imprensa como ‘Peste Gay’ ou GRID – Gay-Related Immune Deficiency. Ainda naquele ano, casos de Aids foram relatados em 14 países ao redor do mundo.
 
Mundo
Em 1987, ao redor do mundo, no mês de novembro, 62.811 casos já tinham sido oficialmente reportados pela OMS, de 127 países. Desde aquele ano, o Governo Americano passou a repassar recursos para o desenvolvimento de programas globais de prevenção ao HIV/Aids.
 
Cazuza
Com suspeitas de possuir a doença desde 1985, apenas a confirmando em 87, foi somente em 1989 que Cazuza declarou para o Brasil que era soropositivo, sendo a primeira personalidade nacional a fazer tal declaração que na época (e ainda hoje) era tão polêmica.
 
AZT
Mesmo sabendo que lhe restava pouco tempo de vida, o cantor não deixou a doença tomar conta de seu corpo e de sua mente e decidiu continuar seu trabalho, ao mesmo tempo em que passava temporadas em Boston para realizar seu tratamento de AZT, a única droga existente na época para combater o vírus HIV, com efeitos graves colaterais e que pouco combatia o vírus, mas era o que tinha no mercado até então.
 
Foi aí que a “ficha” da maioria das pessoas começou a “cair”.
São Paulo
Ocorre que em 1985, para fazer meu curso de graduação, me mudei para São Paulo, o que para mim era uma conquista incrível. Já temeroso com a Aids, vi pessoas contaminadas e tomei consciência da necessidade do uso do preservativo, mesmo sabendo que muitas pessoas faziam o uso do aparato e tantas outras ainda não, como acontece até hoje.
 
Santa Fé
Voltando a Santa Fé, como assim fazia de dois em dois meses para visitar meus familiares, passei a observar que as pessoas viam o vírus HIV como algo muito distante, algo presente somente em outros países e, no Brasil, somente em São Paulo. Ouvia aqui as pessoas dizerem que “isso é coisa lá de São Paulo, aqui não tem nada disso, não”.
 
Que medo!!!
O grande baque para a maioria dos brasileiros foi justamente em 7 de julho de 1990, quando morre Cazuza, aos 32 anos. Como um ídolo que representava a reverência, a força e o “tudo” para milhares de brasileiros poderia morrer? A ficha então caiu!!! Que susto!!!
 
Covid-19
Concomitantemente, o vírus já havia se espalhado por todo o mundo e inclusive já havia casos em Santa Fé do Sul, inclusive com mortes. Tarde demais para aqueles que não acreditaram que “aquilo era coisa somente de São Paulo” e que jamais chegaria a Santa Fé e que pessoas daqui não morreriam. Pensemos, então, com mais afinco a questão da Covide-19.
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