Tópicos da Semana – Edição de 2/11/19

Publicado em 2/11/2019 00:11

Por Lelo Sampaio.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Porrada!!!
Um aluno de 14 anos é suspeito de agredir uma professora com um soco no olho em Francisco Alves, no noroeste do Paraná. De acordo com a PM, os alunos tumultuavam uma aula e não atendiam aos pedidos de silêncio da professora. A polícia informou que a agressão ocorreu assim que a professora pediu para que a direção fosse chamada. Esta foi mais uma notícia de agressão, das tantas que ocorrem no Brasil nos dias de hoje. Como os tempos mudaram. Acabaram-se o respeito e aquela idolatria que tínhamos por nossos mestres em tempos não muito remotos.
Ah, esses jovens…
Já é sabido que a educação básica na escola pública em praticamente todas as regiões do país vai de mal a pior, e não podemos culpar aqui os professores. E também não podemos culpar as escolas, o Estado e tampouco os jovens, afinal sabemos que esses jovens não nasceram prontos, foram produzidos assim na configuração política e social em questão. Desde que o “mundo é mundo” os jovens sempre manifestaram certa rebeldia. O que mudou foi a configuração da rebeldia. A indisciplina e a violência revelam-se cada vez mais cruéis.
Apatia
O desinteresse dos alunos pelos estudos, o aumento dos casos de indisciplina, a violência e os atos infracionais nas escolas têm preocupado, e muito, os educadores. Os baixos salários e as más condições de trabalho são as principais causas geradoras de angústia, insatisfação, medo, desestimulando-os ao exercício da profissão. Frases como, por exemplo: “os jovens de hoje não tem limites”, “não querem saber de nada”, “não estudam”, “são apáticos”, “sem educação”, tornaram-se comum. As escolas públicas são muito mais vulneráveis a esses problemas.
Sociedade
A indisciplina e a violência na escola é a reprodução da violência que ocorrem na sociedade. A escola não é desassociada da sociedade. As condições políticas e sociais do país, a má distribuição de renda, impunidade, corrupção, baixa escolaridade e de renda da maior parte da população são exemplos de problemas sociais que refletem na escola. Além do mais, as mudanças sociais contemporâneas ocorridas no modelo de família refletem na formação dos jovens. Atualmente os pais necessitam trabalhar, as crianças e adolescentes têm ficado cada vez mais aos cuidados de terceiros ou até mesmo sozinhos, muitas vezes na rua “brincando” justamente em uma fase da vida tão importante para a educação de valores indispensáveis à boa convivência humana.
Sem eira…
O pior é que, muitas vezes, a família não é referência. Esses problemas se agravam nas famílias de baixa renda. Os pais não podem pagar uma cuidadora capacitada ou colocar numa escola infantil de qualidade. Em muitos lugares faltam vagas nas creches e de projetos alternativos que acolham essas crianças e adolescentes enquanto os pais trabalham.
Sem respeito
Segundo matéria do site jornalggn, esses jovens indisciplinados e violentos estão nas escolas, não é a maioria, mas são muitos. Geralmente não estão lá para estudar, estão ali geralmente porque são obrigados. No final dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio os problemas se agravam. Aumentam à falta de respeito, alunos se recusam a fazer atividades e a estudarem, atrapalham as aulas, brigas, xingamentos, palavrões, depredação do patrimônio público, bulling e ameaças são constantes no dia-a-dia das escolas.
E o professor?
A figura do professor, que antes, talvez uns vinte ou trinta anos atrás, tinha a função de passar seu conhecimento, hoje não é mais assim. Atualmente, ele tem que mediar conflitos, chamar atenção dos alunos, e o pior, tentar primeiro manter a ordem para que a sala de aula tenha condições de fazer o que ele fazia antigamente.
Gracinhas…
O problema é que hoje em dia manter a ordem da sala está cada vez mais difícil e muitas vezes os professore não obtém êxito. Na maioria das vezes ele é humilhado, ameaçado e ofendido com palavrões e até mesmo agredido fisicamente. Outros, quando lhes chamam a atenção, olham para o professor com deboche e respondem “tô suave”; “não dá nada não, professora”. Ah! Vai me mandar para a diretoria? Vai chamar meus pais? Conselho Tutelar? Boletim de Ocorrência? Fica à vontade, “fessora”. “Não dá nada não”. Suspensão? Que bom vou ficar uns dias em casa e ficar mais na internet, “na brisa”, vou curtir.
Descambou
O pior de tudo é que muitos pais chegam a culpar as escolas, como se lá fossem lugares de aprender tais brutalidades, quando, na verdade, os grandes culpados são a sociedade e a família, esta última que perdeu as rédeas há tempos. Hoje em dia parece mesmo que os valores se inverteram. Os pais acabam tendo que obedecer seus filhos, muitas vezes, para não criarem mais atritos. A desestrutura é familiar e não escolar. A sociedade precisa rever seus conceitos, antes que seja tarde, mas muito tarde demais.

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