Tópicos da Semana – Edição de 23/11/19

Publicado em 23/11/2019 00:11

Por Lelo Sampaio

Charge: Leandro Gusson (Tatto)

Comemorar o quê?
Como acontece desde 2011, o Dia da Consciência Negra foi “comemorado”, no Brasil, no dia 20 de novembro nas 1.260 cidades que tiveram foram aprovadas leis decretando feriado nesta data que lembra a morte de Zumbi dos Palmares, escravo que virou símbolo da luta do povo negro contra a escravidão ao liderar o Quilombo dos Palmares, em Pernambuco.

Onde
Segundo dados da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de 2018, seis estados brasileiros aprovaram leis que determinam o feriado de 20 de novembro em todos os seus municípios: Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Maranhão.

Onde II
O estado de São Paulo não tem uma lei estadual, mas legislações municipais determinam o feriado em 106 cidades, incluindo a capital paulista.
Na macrorregião de Santa Fé do Sul é decretado feriado em Araçatuba, Barretos, Cajobi e Pereira Barreto e, na microrregião, somente em Santa Albertina.

Desigualdade
No último dia 18, a Comissão de Direitos Humanos discutiu “A abolição da escravatura e as ações afirmativas – Vinte de novembro pra quê?”. Para os representantes da luta pela igualdade racial, o país precisa avançar na implementação de políticas públicas e ações afirmativas capazes de reduzir a desigualdade e refletir nos índices sociais e econômicos da população negra. A data comemorativa, disseram os participantes, é uma importante ferramenta para estimular o debate, reforçar a luta e relembrar a história da escravização no Brasil, o último país das Américas a pôr fim a esse processo, em 1888.

Exclusão
Sabemos que o processo de libertação como uma “abolição inconclusa” ocorreu sem qualquer política de integração da população negra na sociedade de classe, o que levou a exclusão dos negros dos postos de visibilidade e do poder até os dias de hoje.

Poucos
De acordo com dados do Instituto Ethos, ao avaliar dados do perfil social e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil, a população negra soma apenas 4,7% no quadro executivo das empresas de maior destaque nacional. Sendo que as mulheres negras correspondem a 0,03%, ou seja, duas diretoras em 548 diretorias mapeadas.

Em Santa Fé
Não precisamos ir muito longe para observarmos esta desigualdade, até porque, por mais que muitos digam o contrário, os negros são vistos ainda como pessoas “inferiores” e, por isso, não ocupam cargos de maior destaque no mercado de trabalho, salvo em pouquíssimos casos.

Igualdade
É sabido que o Brasil viveu por mais de 400 anos em regime de escravidão colonial, o mais longo de que se tem notícia. Apesar de alguns reflexos positivos como o aumento do número de estudantes negros nas universidades públicas, o país ainda precisa avançar nas políticas que proporcionem igualdade de oportunidades para todos os brasileiros.

Todos iguais
Quanto tempo será ainda que precisaremos aguardar para que negros, pardos, brancos, LGBTs, idosos, mulheres, jovens e pessoas com deficiência tenham a mesma oportunidade neste país? E claro, hoje estamos lembrando, principalmente, a população negra que foi escravizada por quase 400 anos. Todos nós fazemos parte de um único universo, somos todos irmãs e irmãos. A diversidade, em suas formas, precisa ser respeitada, independentemente da origem, da raça, sexo, cor, idade ou religião.

Violência
O professor no Instituto Federal de Brasília (IFB) Humberto Santana Jr. denunciou que o crescimento do índice de mortes de negros no Brasil, mesmo em governos que mantinham diálogo e estabeleceram medidas de integração e representatividade, confirma que o Estado brasileiro colabora com o “genocídio antinegro”.

Negrocídio
Ele afirma que “o Estado brasileiro é genocida, ele mata carne negra todos os dias. Porque ele só funciona dessa forma. Se a gente olha o número de mortes no Brasil do povo negro, desde a escravidão para cá, são números de guerra”.

Perseguição religiosa
Também sabemos que as religiões de matriz africana têm passado por perseguição e violência e algo deve ser feito rapidamente. Não é possível que continuemos assim.

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