Tópicos da Semana – Edição de 25/05/19

Publicado em 25/05/2019 00:05

Por Lelo Sampaio.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Santa Casa volta a respirar

A paralização parcial dos médicos da Santa Casa de Santa Fé do Sul, que durou quatro dias, chegou ao fim na tarde da última terça-feira (21), após negociações com a direção do hospital e com os prefeitos da região. Embora os médicos tivessem pedido um reajuste de R$ 80,00 para R$ 119,00 a hora trabalhada, a Santa Casa foi ululante ao afirmar que o valor pedido pelos plantões presenciais representaria uma porcentagem de 48,75%, e significaria um valor aproximado de R$ 125 mil a mais no orçamento mensal da entidade, valores que não condizem com a realidade financeira da Santa Casa. Mais uma vez essa tal de Santa Casa no buraco, neste poço sem fundo, parece.
Cai no buraco pra estender a mão

O que muitos não entendem é como a administração da Santa Casa deixa a situação dos médicos, muitos deles até filhos de Santa Fé, e que, portanto, dão o sangue pelo hospital, chegar ao ponto que chegou. Uma internauta questionou o fato de a entidade estar sempre em situação calamitosa, mesmo recebendo da administração municipal um repasse de R$ 150 mil mensais (agora serão de R$ 180 mil), repasses das seis cidades que compõem a microrregião, emendas parlamentares, e realizando jantares beneficentes, campanhas para arrecadar açúcar e leilões, além de outros tantos alimentos doados por órgãos e instituições da cidade.
E mais…

Há de se ressaltar também os 4.364 moradores de Santa Fé que contribuem com a Santa Casa através de doações vindas das contas de água, cujo valor repassado é de R$ 14 mil por mês e as inúmeras ajudas financeiras vindas de empresários para as reformas de quartos.
De quem é o erro?

O que a população parece não entender é como uma entidade como esta fica cinco anos sem reajustar o salário de seus médicos, e olha que durante esta paralização em nenhum momento a entidade ficou sem o seu corpo clínico; sem contar que desde meados de 2017 esses mesmos médicos não receberem por suas produtividades, ou seja, parte de honorários médicos das internações.
Mais clareza

O que também se questiona é o fato da Santa Casa, por ser uma entidade, não ser clara com os valores recebidos, seja através de emendas, de administrações, de leilões e outros eventos. Há de haver uma maior clareza para a população, sim. Há de vir a público cada centavo recebido e cada centavo gasto, assim como fazem outras entidades do município, como a Apae, Lar dos Velhinhos, dentre outras.
E não pudemos adoecer

Não se questiona aqui o trabalho incansável de seu provedor e de toda a administração, mas o fato é que a questão do déficit orçamentário da Santa Casa local vem de longa data, mas a população se cansa e chega a dizer que o hospital é um verdadeiro “poço sem fim”. Ficamos durante cinco dias “sem poder adoecer”, e olha que a cidade logo terá a primeira turma do curso de Medicina do Unifunec. Algo precisa ser revisto imediatamente, até porque não adianta falarmos que teremos ensino de qualidade sem um hospital de qualidade e com uma administração não muito transparente.
Política x Religião

No último domingo (19), em um culto que ministrou na Igreja Universal do Reino de Deus do Rio de Janeiro, o bispo Edir Macedo orou – e fez campanha – pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e por seu sobrinho, o prefeito Marcelo Crivella (PRB). O líder evangélico e proprietário da TV Record pediu que Deus “remova” aqueles que se opõem ao governo. “Vamos orar pelo nosso país. Quando se levanta um político querendo ajudar, os bandidos, ladrões, safados, salafrários se unem para derrubá-lo. Mas o Senhor conhece aqueles que são justos, que querem ajudar o seu povo. Então te peço, meu Pai, por esta nação: nós elegemos Bolsonaro, então seja justo com ele, meu Pai”, discursou, em vídeo transmitido ao vivo em sua página no Facebook.
Remova?

O religioso continuou seu ‘discurso’ pedindo a Deus que ‘remova’ aqueles que querem impedi-lo de fazer um excelente governo. “Ele pegou esse país, meu pai, caído, quebrado, assaltado, roubado, espoliado, desgraçado, para mudar a história dele, meu pai”, disse, para na sequência citar o sobrinho, que enfrenta um processo de impeachment na Prefeitura do Rio.
Coisa antiga

A cultura de se misturar política na religião é antiga neste país, e isso não acontece tão somente como houve na Igreja Universal. Na última campanha para presidente, aqui em Santa Fé alguns presidentes de centros espíritas usaram o Facebook para “fazer campanha” e algumas religiões maiores “alugaram os ouvidos” de seus fiéis com discursos políticos.

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