Tópicos da Semana – Edição de 25/07/20

Publicado em 25/07/2020 00:07

Por Lelo Sampaio

Tem nomes
A pandemia no novo coronavírus, que, aliás, é o grande assunto e problema do ano de 2020, agora passa a ter nomes em Santa Fé do Sul, como a querida Damaris, o amável Rafael e tantos outros. Antes, distante, quando casos eram relatados somente nas grandes cidades, chegou ao interior com uma intensidade estrondosa e tem vitimado pessoas do nosso convívio, sem escolher idade, com ou sem comorbidades.
Tristeza
Quando alguém que amamos morre, dizer adeus pela última vez significa muito. Mas o coronavírus está nos roubando a chance das pessoas se despedirem de seus entes queridos. A pandemia vem tirando a dignidade dos mortos e agravando a tristeza dos vivos.
Isolamento
Parece mesmo que o novo coronavírus mata duas vezes. Primeiro, ele isola a pessoa de seus entes queridos logo antes de morrer. Então, não permite que ninguém se aproxime. Sabemos que muitas vítimas de Covid-19 estão morrendo em isolamento hospitalar, em todo o país, sem família ou amigos. As visitas são proibidas porque o risco de contágio é muito alto.
Interior
Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, na última segunda-feira (20), pela primeira vez, desde o início da pandemia, o interior paulista ultrapassou a região da Grande São Paulo (excluída a capital paulista) em número de mortes provocadas pelo novo coronavírus. O interior contabilizou 5.612 óbitos, ultrapassando os 5.318 registrados na região metropolitana. Até a segunda-feira, o estado contabilizava 19.788 mortes no total, sendo 8.858 delas ocorridas na capital.
Tristeza II
Depois, embora as autoridades de saúde digam que o vírus não pode ser transmitido postumamente, ele ainda pode sobreviver nas roupas por algumas horas e, então, os corpos são selados imediatamente. Desta feita, os mortos não podem ser enterrados com suas roupas favoritas e mais elegantes. Em vez disso, resta-lhes o sombrio anonimato de um traje hospitalar.
Dolorosa situação
Para os responsáveis que ficam para cuidar do corpo e de seu sepultamento, talvez o mais difícil seja conseguir aliviar o sofrimento dos enlutados, pois, em vez de contar à família tudo o que poderiam fazer, agora são forçados a listar tudo o que não puderam mais fazer, como vesti-lo, pentear seus cabelos e maquiá-lo, ou seja, não podem prepará-lo para parecer bonitos, haja vista que a morte transforma, de alguma forma, o semblante do ser.
Momento frio
A Covid-19 tirou das pessoas o ato da despedida, até porque ter um familiar ou amigo hospitalizado em isolamento em um caso grave é a fase inicial do doloroso processo de luto. A pessoa perde a oportunidade de ter contato com o seu familiar e, no pior cenário, perde a chance de se despedir dele. Nesta já triste situação, as pessoas se encontram privadas de um ritual que significa, em parte, acolhimento e afeto. O momento, já tão difícil, se torna frio.
Papo infeliz
O deputado Sílvio Fávero (PSL), apoiador do presidente da República Jair Bolsonaro, usou recentemente a tribuna da Assembleia para disseminar informações falsas ao público que acompanhava a transmissão pela TVAL ou por live nas redes sociais. Isso porque, declarou que as prefeituras recebem R$ 19 mil por cada morte por Covid-19 registradas nos municípios. Ele também reclamou de não haver distribuição do chamado Kit Covid, que é um conjunto de medicamentos para tratamento precoce. Ocorre que a eficácia dos remédios ainda é controversa. Talvez tenha dito R$ 19 mil pelo falo de a doença se chamar Covid-19, se fosse Covid-30, provavelmente teria dito R$ 30 mil.
E vamos de Fake News
“Eu vou trazer um detalhezinho aqui para toda a população matogrossense e do Brasil. Você sabe quanto ganha a prefeitura a cada morte? R$ 19 mil! Cada morte, R$ 19 mil. Ninguém morre mais de nada, acabou! Câncer (…), acabou tudo, ninguém morre. Não existe mais doença no Brasil. A única doença do Brasil hoje é a Covid”, disse Fávero.
Patetice
Durante a sessão, Fávero chegou a afirmar que se forem realizadas autópsias nas vítimas do novo coronavírus, o número de obtidos por Covid-19 será reduzido. Na sua avaliação, autoridades estão aumentando o número de mortes pela doença para obter mais recursos federais. “Nunca se liberou tanto recursos para estados e municípios. Não concordam com as ideias do presidente Bolsonaro, mas querem os recursos que o meu presidente libera”, concluiu.
Fato
Em nota, o Ministério da Saúde informou que não repassa verba para registro por morte. “A pasta realiza o repasse de recursos para ações e serviços públicos de saúde. Esta verba é usada por secretarias estaduais e municipais de saúde para custeio de serviços, aquisição de insumos básicos para o funcionamento dos postos de saúde e de hospitais, por exemplo, além de proporcionar equipamentos e recursos humanos a estados e municípios no atendimento à população atendida pelo Sistema Único de Saúde”, diz a nota.

Última Edição