Tópicos da Semana – Edição de 26/08/17

Publicado em 26/08/2017 00:08

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Virou moda
Definitivamente parece que a moda de pedir dinheiro aos vereadores de Santa Fé do Sul se instaurou por completo em nossa cidade. Embora saibamos que o cargo da vereança não deva ser visto como emprego, mesmo sendo remunerado, não há dinheiro suficiente para suprir tantos pedidos de uma “ajudinha financeira”. São entidades assistenciais, promotores de festas, organizadores de leilões, de campeonatos esportivos, eventos religiosos e de muitos tipos de festividades, num tal de pede aqui e pede acolá sem fim, como se o vereador fosse quase que obrigado a usar seu dinheiro para custear, ou pelo menos “ajudar” o tal feito. Parece mesmo que estamos nos tempos antigos, quando o voto valia uma dentadura, um par de chinelos, ou sabe-se lá o que.

Eu, para mim mesmo
Como se não bastasse essa quantidade infinita e quase que diária de pedidos, há os caras-de-pau que pedem ajudas para si mesmos, e pior, para custear desde um engradado de cerveja, até mesmo um pouco de carne, carvão, um fardo de guaraná, seja para um churrasco de final de semana ou uma festa de aniversário. É quase que uma pressão, pois usam o fato de terem votado neste ou naquele vereador, ou mais heteróclito ainda, dizem ter votado, quando, na verdade nem votaram, para obter tais vantagens.

Chantagem?
Por estarem mais próximos dos cidadãos, vendo os problemas da cidade e buscando soluções, cabe aos vereadores entenderem as demandas das diferentes classes sociais existentes na cidade e representá-las politicamente. Se, por um lado, está mais do que na hora de o cidadão parar de “exigir” que este ou aquele vereador o beneficie, quase que como numa espécie de chantagem, já é tempo também de alguns edis de Santa Fé começarem a dizer ‘não’, até porque não é dever do vereador passar seus quatro anos de mandato financiando alguns “desejos” dos cidadãos.

A que ponto chegamos!!!
O soco desferido por um aluno contra o rosto de uma professora de Língua Portuguesa e Literatura, dentro da sala de aula do município de Indaial, em Santa Catarina, nesta segunda-feira, dia 21, reabriu o debate sobre a violência contra os professores em sala de aula. Entretanto, o retrato da violência contra os docentes deixa o Brasil fora de foco. Os dados globais mais recentes colocam o país como o mais violento contra esses profissionais. Além disso, estudiosos do tema apontam que faltam levantamentos internos que promovam o diagnóstico do problema.

Tristes dados
Uma pesquisa feita em 2015 pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo apontou que 44% dos docentes que atuavam no estado disseram já ter sofrido algum tipo de agressão. Entre as agressões que 84% dos professores afirmam já ter presenciado, 74% falam em agressão verbal, 60% em bullying, 53% em vandalismo e 52% em agressão física.

Número Um
Uma pesquisa global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe Brasil no topo de um ranking de violência em escolas. O levantamento é o mais importante do tipo e considera dados de 2013. Uma nova rodada está em elaboração e os resultados devem ser divulgados apenas em 2019.

Fazendo caca
O anúncio nesta semana sobre a venda da Eletrobras para fazer caixa é, sem sombra de dúvidas, uma das iniciativas mais estapafúrdicas do governo Temer. A ideia da “democratização do capital” e a comparação com a Vale, uma das maiores empresas de mineração do mundo, com posição de liderança nos segmentos de minério de ferro e níquel; e a Embraer, que coordena todas as empresas do setor elétrico do país, é simplesmente estrambólica. Ambas estão na economia competitiva, enquanto a Eletrobrás é uma concessionária de serviços públicos, deveras estratégica para o país.

Dinheiro de pinga
A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobras tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras.

Potência
A Eletrobras está sendo construída desde 1953 e exigiu investimentos calculados em R$ 400 bilhões de quem? De nós, é claro. Além da capacidade geradora, que equivale à meia Itaipu, controla linhas de transmissão, seis distribuidoras e a Eletronuclear, empresa estratégica que detém as únicas usinas nucleares brasileiras.
Barganha
O comprador, evidentemente, será algum grupo chinês que, por 20 bilhões de reais, assumirá o provavelmente maior parque de geração hidroelétrica do planeta. É realmente inacreditável o nível de ganância, cegueira estratégica, dentre outros pejorativos, atrás deste quebra-galho financeiro.

Implausível
Para se ter uma ideia da tamanha facilidade que nossos governantes têm de fazer o maior rebosteio, nos EUA, o parque hidroelétrico, que corresponde a 15% da matriz energética, é estatal Federal, porque lá se parte do pressuposto de que energia elétrica, que envolve recursos hídricos, são de interesse nacional, e não podem ser privados. Na terra do Tio Sam há, sim, muito cuidado com água, rios e represas, e nunca se pensou em privatizar algo do tipo.

Ululante
Estava mais do que na cara a ideia de privatizar desde quando a “rainha das privatizações” da Era FHC, Elena Landau, foi posta como presidente do Conselho da empresa. Há um mês, pediu demissão para não ficar evidente demais sua presença com o anúncio da privatização, ligando a lembranças de sua atuação no governo tucano. Eita paisinho das artimanhas!!!

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