Tópicos da Semana – Edição de 27/06/20

Publicado em 27/06/2020 00:06

Por Lelo Sampaio

Quanto pior, melhor
Sempre, sempre! Desde os primórdios, dar notícias ruins às vezes não é uma boa coisa para
ser feita. Como já escreveu João Ubaldo, “Não resolve nada cortar a cabeça do mensageiro quando
o mesmo lhe traz uma notícia nada agradável”, mas parece que os destinatários das más notícias
têm opinião diversa, principalmente quando são poderosos e a mensagem anuncia algo que ameaça
esse poder, e é justamente isso que estamos vivendo. A imprensa brasileira nunca foi tão atacada
por defender o isolamento social, por mostrar que temos que sair de casa somente em casos de
extrema urgência e sempre de máscara. Ela vem sendo atacada por muitos políticos como se fosse
a fazedora do novo coronavírus, como se ela torcesse para que cada vez mais óbitos existissem,
como se a imprensa fosse dona do “quanto pior, melhor”.
1964
Sabe-se que a imprensa foi alvo da censura durante a ditadura instaurada pelo golpe civil-militar
de 1964, que assumiu várias facetas, como a lei da imprensa de 1967, a censura prévia, em 1970,
a autocensura. Tratando-se, por princípio, de violação à liberdade de expressão, direito essencial e
elementar da democracia, atingiu a imprensa de maneira diferenciada uma vez que o termo refere-se a
um conjunto muito amplo e variado de órgãos de informação. Assim, se a censura serviu para cercear
periódicos de grande circulação como Última Hora e Correio da Manhã e os da imprensa alternativa
ou nanica, como Opinião, Movimento, Em Tempo, Pasquim, igualmente foi útil a muitos outros para
calar aqueles que veiculavam posições contrárias ao regime ou à ordem capitalista.
Ditadura
A censura, desta feita, desempenhou um papel fundamental na implantação e na consolidação
da ditadura, silenciando uns e servindo a outros. Houve abençoados pela censura que construíram
impérios de comunicações. Lembrar os jornalistas que resistiram ao arbítrio não pode implicar no
esquecimento daqueles jornalistas e jornais que estiveram a favor do arbítrio, louvando em suas
páginas os “grandes feitos dos militares, suas conquistas econômicas e a pacificação do país, celebrando
a eliminação dos terroristas e dos maus brasileiros que ameaçavam a ordem e o progresso”.
Essas palavras eram recorrentes na maior parte da grande imprensa não exclusivamente devido à
censura, mas, principalmente, porque seus editores e leitores assim viam a realidade, como menciona
o “memórias reveladas”.
Liberdade
Toda ditadura tem como prioridade básica o controle da imprensa, a vigilância rigorosa sobre
os fatos e opiniões que podem ser conhecidos pelo público. Entretanto, apesar de todos os defeitos
comuns à condição humana, a imprensa, que serve de olho e boca da coletividade, não pode ser
cerceada sem que as liberdades civis também sejam.
O Quarto Poder
A imprensa é considerada por muitos estudiosos como o quarto poder brasileiro em alusão aos
três poderes constituintes, e seu papel primordial é levar informação à população com precisão, de
forma séria, imparcial, comprometida com a verdade, até porque uma imprensa séria se preocupa
em desempenhar o seu papel social para que cada vez mais a população possa sentir-se confiante
nesse papel tão importante que é a informação.
Tempos difíceis
Porém, o que temos visto nos últimos tempo são as frases “Ahhhhh, isso é coisa da imprensa
esquerdeopata”, “Ahhhh, a Globo está falida, por isso que estão tão desesperadas e atacando pra
todos os lados”. Vale ressaltar, contudo, que a imprensa, como o “quarto poder”, é responsável por
controlar os abusos dos poderes constituídos, ou seja, o Legislativo, Executivo e o Judiciário, contra
a população que, na maioria das vezes, não tem voz ativa para interferir em questões importantes.
OMS errada?
O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender na última segunda-feira (22) a reabertura do
comércio e disse que “talvez tenha havido um pouco de exagero” na maneira como a pandemia do
novo coronavírus foi tratada. Ele disse que surgem novas informações no “mundo todo” e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) cometeu equívocos, sem especificar quais.
Tristes números
Tal declaração veio justamente no dia em que o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde
(OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se pronuncia afirmando que foram necessários mais de três
meses para alcançar o primeiro milhão de casos registrados. O último milhão de contágios aconteceu
em apenas oito dias.
Sem preparo
Na segunda-feira (20), a pandemia do novo coronavírus havia matado 468.724 pessoas em
todo o mundo e os países mais afetados são Estados Unidos (119.977 mortos), Brasil (50.951), Reino
Unido (42.717), Itália (34.634) e França (29.643). O diretor da OMS também pediu aos governos que
se preparem para futuras pandemias que podem acontecer em qualquer país a qualquer momento e
matar milhões de pessoas, porque não estamos preparados.
“Deu ruim”
O juiz Renato Borelli, da Justiça Federal do Distrito Federal, decidiu na noite da última segunda-
feira (22) impor ao presidente Jair Bolsonaro a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços
públicos em Brasília, sob pena de multa diária de 2.000 reais. O magistrado atendeu a uma ação
popular movida contra Bolsonaro e a União, segundo a qual o uso obrigatório do equipamento não
tem sido respeitado pelo presidente em atos públicos, nem pelos servidores federais em serviço.
Borelli afirmou na decisão que “mostra-se, no mínimo, desrespeitoso o ato de sair em público sem o
uso de EPI, colocando em risco a saúde de outras pessoas”.

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