Tópicos da Semana – Edição de 28/10/17

Publicado em 28/10/2017 00:10

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva

Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Choque
A Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica – aprovou nesta terça-feira, 24, um aumento de 42,8% para o valor do patamar 2 da bandeira tarifária vermelha. Com o reajuste, a taxa extra cobrada nas contas de luz quando essa bandeira é acionada passará de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 quilowatts consumidos. Segundo a decisão da Aneel, o novo valor passará a valer já a partir de novembro. De acordo com o diretor da Aneel Tiago Correia, a aplicação imediata do novo valor vai evitar um déficit ainda maior na conta que arrecada os recursos das bandeiras tarifárias, que já registra prejuízo. Hoje em dia, quando abrimos a fatura da conta de luz, levamos um verdadeiro choque, e olha que tem sido daqueles de alta tensão.
No susto
Somos um povo que vive de sobressaltos financeiros. Abrimos a conta de luz, aiiii; a conta de telefone, aiiiii, vamos ao supermercado, aiii, o gás, aiiii, acessamos a conta bancária, aiiiiii, e por aí vai. Parece mesmo que já nos acostumamos a sofrer com as altas dos preços e pior, nada fazemos, enquanto isso bilhões e bilhões são roubados por políticos inescrupulosos, e pior ainda, também nada fazemos. Assistimos de camarote todas as ‘falcatruas brasilis’ como se estivéssemos vendo um comercial de margarina, onde a família feliz se senta a mesa para fazer sua refeição matinal.
Estapafúrdio
Tudo neste país custa muito mais caro, justamente por causa do chamado “custo Brasil”, termo que os economistas usam ao falar não apenas do quanto o consumidor paga por algum produto, mas também para explicar por que é tão complicado para empresas investirem em nosso país. Aliás, para muitos estrangeiros, investir no Brasil não é fomentar a indústria, mas especular, já que os altos juros trazem ótimas perspectivas de lucro fácil e rápido.
Ahh, o Governo
Para termos uma ideia, pensemos então na empresa Apple e o porquê até hoje não possui uma fábrica no Brasil. A resposta é simples. Cerca de 40% do valor final de um produto industrializado vai para o governo, enquanto nos Estados Unidos e China a bocada é de apenas 20%. Até nossos hermanos argentinos pagam bem menos, cerca de 24%.
Ahh, os impostos
Entender todo esse emaranhado tributário é algo para poucos. IPI, ICMS, Cofins, ISS, IOF, Cide e CPMF. Em nenhum lugar do planeta as empresas quebram tanto a cabeça para se manterem dentro da legalidade fiscal, contratando profissionais de contabilidade que suam muito para encarar as complicações burocráticas e se manterem atualizados.
Esculhambação
O pior de tudo é que não vemos o retorno dessa dinheirama toda em serviços públicos e infraestrutura. Vemos, sim, estradas e rodovias esburacadas, pessimamente sinalizadas, hospitais a beira da morte, falta de vagas nas escolas, ensino de baixa qualidade e então vamos construindo cada vez mais cidadãos quase que acéfalos. Bom para o Governo, bom para seus bolsos.
Funcionário custa caro
Não se discute aqui a possibilidade de chegarmos ao ponto de aderir à semiescravidão, como a China, mas o que acontece no Brasil é absurdo. Hoje em dia, manter um funcionário registrado em carteira custa outro salário para o empregador. Daí surge o jeitinho brasileiro e muitos burlam a lei, deixando seus funcionários sem carteira assinada que, por sua vez, como precisam do mísero emprego, acabam aceitando a situação.
Nosso transporte
O transporte apresenta um verdadeiro disparate em um país de dimensões continentais e, mesmo assim, dependemos excessivamente do transporte rodoviário, que, por sinal, é o mais caro e instável do mundo. As estradas em más condições tornam a profissão de caminhoneiro de altíssimo risco. O frete, por outro lado, encarece por causa do alto custo dos combustíveis e da manutenção dos caminhões, que sofrem com os buracos e, quando não é buraco, é pedágio. A malha ferroviária está abandonada. E os aeroportos, se não estão dando conta nem de transportar passageiros, que dirá mercadorias.
E onde fica o status?
O mercado de luxo existe em todos os lugares do mundo, e isso não é de hoje. Entretanto, no Brasil de hoje, graças à grande desigualdade social, o alto preço de um produto muitas vezes é a única razão para se adquiri-lo. Isso explica o fato do um veículo zero quilômetro não ser uma mera ferramenta de trabalho ou passeio, mas sim de “coisa de rico”, até porque muitos estufam o peito passeando pelas ruas de Santa Fé para mostrar seu “verdadeiro” status.
Pirataria
Somos o país da pirataria, digna de um país tupiniquim. Nunca faltarão pessoas dispostas a ter um produto que custe três vezes menos que nas lojas locais. A cultura da pirataria se enraizou tanto no país que quem prefira até piratear softwares de R$ 10. É a tal história, pra que pagar, seja o quanto for, se tem quase de graça?
Bonzinho
E assim vamos vivendo, de novela, de samba, futebol, pouca leitura, pouco conhecimento, de muita cerveja e cachaça para esquecer os problemas. Assim, empurramos com a barriga e não lutamos, afinal somos um povo pacífico. Até quando?

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