Tópicos da Semana – Edição de 3/03/18

Publicado em 3/03/2018 18:03

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Ahh, a escola

As transformações que a sociedade sofreu em cerca de meio século são impressionantes e, dentre elas, a convivência entre professores e alunos, aparentemente, foi a que sofreu mais prejuízos. Os professores tinham mais autoridade dentro das salas de aulas e eram ao mesmo tempo mais respeitados do que atualmente. A cobrança era também severa da direção das escolas que, se cobrava o resultado das aulas ministradas, cobrava na mesma intensidade os atos de indisciplina praticados pelos alunos.
Que mundo é este?

Quem recordou isso foi o professor Valdecir Casagrande, que durante 30 anos ministrou aulas na Escola Estadual Capitão Narciso Bertolino, até atingir sua aposentadoria no ano de 1992. É claro que a violência entre alunos sempre existiu, mas eram situações corriqueiras. Vandalismo era algo que realmente não existia. O que predominava eram as brincadeiras inocentes entre os alunos e, dependendo, até com professores, como jogar papel na cabeça do outro, falar uma besteira qualquer, nada grave.
Eu posso

Casagrande ressalta que a violência sempre existiu e sempre vai existir a truculência dos maus formados, os que tudo podem pelo poder econômico e pelo poder político, desestrutura da legalidade a ponto de não mais se sensibilizar quando uma prostituta é arrastada até a morte, quando um gay é morto a cada 24 horas, quando índios são incendiados ou agredidos, quando pedofilia é notícia corriqueira, quando os descolados políticos não recebem o rigor da lei.
Desmantelamento

Por outro lado, entende-se que o que acontece atualmente tem fundamento na falta de estrutura, seja familiar, seja da própria escola, que, juntadas aos problemas cotidianos, como, por exemplo, um pai desempregado, situação que chega a agredir não socialmente, mas também a moral do cidadão. É quase que um futuro sem futuro, o crime, a violência, a lei do mais forte. A escola pública, via de regra. é burocrática demais para justificar a sua incapacidade, sem ideal, é uma pena, salvo algumas exceções.
Fato

Um professor denunciado por uma aluna por tê-la mudado de lugar dentro da sala de aula em uma escola do Recife venceu um processo por danos morais contra a jovem na Justiça, que determinou que o docente receba R$ 5 mil de indenização. A decisão, à qual ainda cabe recurso, se refere à polêmica ocorrida em uma turma do 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Apolônio Sales, no Ibura, na Zona Sul da capital, e que se arrastava desde abril de 2016.
O caso

O caso ocorreu durante uma aula de Matemática ministrada pelo professor Jeff Kened Barbosa, de 62 anos, 30 deles dedicados à docência. Segundo o docente, a estudante estava conversando com outros colegas em sala e atrapalhando a apresentação do conteúdo. O professor teria pedido, por três vezes, que ela parasse a conversa e, na quarta, teria dito para que ela trocasse de lugar na classe. A auna teria dito que tinha completado 18 anos e que ninguém mandava mais nela. A aula foi interrompida e ela, levada para a coordenação. No dia seguinte, a estudante apareceu na escola com a mãe, pedindo que o professor fosse afastado de suas funções.
Arrogância

Ainda segundo o professor, na primeira reunião, o educador tentou colocar um ponto final na história, desculpando-se com a aluna, mas isso não foi suficiente. A mãe e a estudante disseram que conheciam seus direitos (sempre os direitos) e, por isso, não parariam até a última instância da Justiça. Elas acionaram o Conselho Tutelar do Ibura, depois à Gerência Regional de Educação e, por fim, o Ministério Público de Pernambuco. Todos emitiram pareceres favoráveis ao professor. Alunos da escola fizeram campanha e passeatas em seu favor.
Fujonas

Após os trâmites iniciados pela estudante, o professor decidiu rebater as ações com um processo por danos morais contra a aluna. Ele diz nunca ter se sentido tão constrangido em toda a carreira e, por isso, optou por acionar a Justiça. Como a mãe e a filha mudaram de endereço, a Justiça passou quase um ano tentando localizá-las, conseguindo apenas por meio de cartões de crédito. Quando intimadas, elas não receberam o documento por causa de um erro no complemento do endereço.
Decisão judicial

O juiz Auziênio de Carvalho Cavalcanti decidiu que o professor será indenizado por danos morais e vai receber R$ 5 mil, mas ainda é possível recorrer da decisão. De acordo com a juíza Nalva Campello, do 3º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo da Capital, esta é a forma que a Justiça tem para reparar os danos morais. “O dano moral tem sido a coisa mais recorrente na Justiça. Todos que passam por uma situação de constrangimento podem buscar a Justiça. Quanto à procedência da reparação, isso depende do caso, que vai ser estudado pelo juiz”, ressalta a juíza.
Mexa pra ver

Antigamente os alunos, pelo menos na sua grandessíssima totalidade, respeitavam os professores, pois se fizessem algo de errado o ‘mestre amado’ podiam por de castigo e até dar um croque ou um puxão de orelhas. Hoje, entretanto, como nada podem fazer, o aluno se aproveita para ameaçar, xingar ou bater em professores, pois sabem que se exigirem respeito, podem ser processados e até perder seus empregos. O fato é que atualmente os alunos não respeitam os próprios pais que, de fato, deixaram de conceder autoridade aos professores. Hoje, ai de quem mexer com o filhinho na escola, seja quem for, e doa a quem doer… Os pais viram uma fera, e o filho, um monstro.

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