Tópicos da Semana – Edição de 5/09/20

Publicado em 5/09/2020 00:09

Por Lelo Sampaio

O rio chora

No início desta semana, a santafessulense Anai Monteiro Marques, fisioterapeuta, e que tanto lutou pelas causas do rio Paraná, mais profundamente pelo não lançamento do esgoto de Aparecida do Taboado realizado pela saneadora daquela cidade, escreveu uma nota de repúdio e indignação em sua página no Facebook.

Nota de Repúdio
“É com profunda tristeza que me chegou a notícia de que o esgoto de Aparecida do Taboado começou a ser lançado em nosso rio Paraná. Em fevereiro de 2019, comecei uma luta árdua, junto ao grupo SOS rio Paraná, em favor do nosso maior bem ambiental, o rio. Participei de audiências na cidade d Aparecida, fizemos várias manifestações, conseguimos seis moções de repúdio nas câmaras das cidades banhadas pelo rio, impetrei duas ações civis públicas, uma na esfera estadual, em minha cidade, onde foi aceita a denúncia e outra na esfera federal de Três Lagoas, provando que ali naquele lugar existe um balneário”.

E mais…
“Consegui, com um vídeo que gravei nas Cataratas do Iguaçu, uma audiência no senado Federal em Brasília, onde estivemos e mostramos as maravilhas da nossa região. Professores doutores provaram naquela audiência que esse esgoto comprometeria, sim, a saúde do rio. Dei entrevistas para jornais, OAB, prefeituras do Paraná, rádios de todo o Brasil, tudo isso com recurso financeiro próprio”.

E continua
“Sofri perseguições, mas também obtive muito apoio, principalmente do legislativo da cidade em questão e da população de todas as cidades banhadas pelo rio. Mas hoje fica a profunda indignação em saber que aonde a ganância chega não tem lugar para a natureza, e saber que podemos perder um rio que tem uma água cristalina, que se pode beber, e que nessa mesma água pescadores tiram seu sustento, crianças brincam, piscicultores dão emprego a milhares de famílias”.

Mais desabafo
“Fiz o que eu podia e também o que não podia, e agora não posso mais. Meu filho, razão da minha vida, precisa de mim, sofreu um grave acidente e se encontra com várias sequelas que o tornam totalmente dependente de mim. E, por fim, agora, também adoeci. Estou em um tratamento prolongado por uma doença que me acometeu. Então fica aqui meu profundo pesar e a esperança de que a Justiça deste país não permita essa atrocidade ao meio ambiente”.
O rio Paraná (‘como o mar’ ou ‘parecido com o mar’, do tupi para (mar) e na (se parece com ou como) nasce entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em seu percurso, banha também o estado do Paraná, adquirindo uma extensão total de 3.998 km, que lhe renderia o posto de o nono rio mais extenso do mundo, caso fosse contado o trecho do rio Paranaíba. O rio Paraná demarca a fronteira entre Brasil e Paraguai numa extensão de 190 km até à foz do rio Iguaçu.
A partir de Foz do Iguaçu, o rio muda para direção oeste e passa a ser o limite natural entre Argentina e Paraguai. Na confluência do rio Paraguai, o rio entra inteiramente em terras argentinas e passa a percorrer a direção sul, desaguando no delta do Paraná e, consequentemente, no Rio da Prata.
Sua vazão na foz, de 16.000 m³/s, é comparável à de rios como o rio Mississippi (18.000 m³/s) e o rio Ganges (16.000 m³/s), ou seja, não estamos falando de pouca coisa não. Então está mais do que na hora das autoridades de todos os âmbitos se juntarem para não deixar que este rio, tão adorado por todos nós, não morra.

Boas novas
O Brasil está entre os seis países sul-americanos que iniciaram esta semana com a transmissão de coronavírus sob controle, segundo cálculos do Imperial College, referência em acompanhamento de epidemias. A taxa de transmissão (Rt) brasileira estimada pelo centro de acompanhamento de epidemias britânico é a menor desde o final de abril.

Desaceleração
O índice agora é de 0,94, o que significa que cada 100 contaminados passam o coronavírus para outros 94, que por sua vez transmitem a doença para mais 88, reduzindo progressivamente o alcance da doença. Peru e Bolívia (ambos com 0,88), Colômbia (0,92), Equador (0,94) e Chile (0,97) também estão no grupo dos sul-americanos que veem a transmissão em desaceleração. Desses, o Chile é o que registra há mais tempo índices favoráveis: está é a décima semana seguida em que o Rt chileno não sobe acima de 1.

Aceleração
Venezuela (1,06), Argentina (1,09) e Paraguai (1,32) registram aceleração do contágio, de acordo com os cálculos do Imperial College, feitos a partir do número de mortes informadas. Apesar das boas notícias, a Opas (braço americano da Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quarta (2) que os países não podem relaxar sua vigilância.

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