Tópicos da Semana – Edição de 7/10/17.

Publicado em 7/10/2017 00:10

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Santa ignorância
Parece mesmo que o deputado Federal Jair Bolsanaro (PSC-RJ) gosta mesmo de polemizar ou então definitivamente perdeu a noção do que diz, embora já não seja de hoje que vêm espalhando seus pensamentos estapafúrdios a respeito do mais diversos assuntos. Agora, a Justiça o condenou por ele dizer que “quilombolas não servem nem para procriar”. Para somente reforçar o que muitos já sabem, ‘quilombolas’ é uma designação comum aos escravos refugiados em quilombos, ou descendentes de escravos negros cujos antepassados no período da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades onde executavam diversos trabalhos braçais para formar pequenos vilarejos chamados de quilombos.
Oras
Chega-se a conclusão de que preconceito racial e social em uma pessoa é inversamente proporcional à sua capacidade de corrigir os próprios erros, até porque não há de haver esta história toda de preconceito racial; não há de haver mais estas discussões, uma vez que não se deve haver a mínima diferença de que cor somos, afinal somos todos almas, e isso já basta.
Menoscabo
O fato é que o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro entrou com um processo contra Jair Bolsonaro em abril deste ano, depois que o parlamentar realizou uma palestra no Clube Hebraica, na Zona Sul do Rio, e lá ofendeu e depreciou a população negra e indivíduos pertencentes às comunidades quilombolas. Na ação, os procuradores da República sustentam que Bolsonaro distorceu informações e fez uso de “expressões injuriosas, preconceituosas e discriminatórias com o claro propósito de ofender, ridicularizar, maltratar e desumanizar as comunidades quilombolas e a população negra”.
Aviltamento

No Hebraica, segundo o Ministério Público Federal, o deputado disse, por exemplo, que visitou uma comunidade quilombola e que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. E mais, ainda citando a visita, afirmou também que “não fazem nada, que nem para procriar servem mais”. Para os procuradores da República Ana Padilha e Renato Machado, as afirmações “desumanizam as pessoas negras, retirando-lhes a honra e a dignidade ao associá-las à condição de animal”.
Vitupério
Os procuradores da República afirmaram que “com base nas humilhantes ofensas, é evidente que não podemos entender que o réu está acobertado pela liberdade de expressão, quando claramente ultrapassa qualquer limite constitucional, ofendendo a honra, a imagem e a dignidade das pessoas citadas, com base em atitudes inquestionavelmente preconceituosas e discriminatórias, consubstanciadas nas afirmações proferidas pelo réu na ocasião em comento”.
Sentença
Na sentença, publicada na última segunda-feira, dia 2, a juíza Frana Elizabeth Mendes, da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, afirma que está “evidenciada a total inadequação da postura e conduta praticada pelo réu, infelizmente, usual, a qual ataca toda a coletividade e não só o grupo dos quilombolas e população negra em geral”.
Não dá mais…
Até quando muitos de nós vamos aceitar calados ou fingir que não temos preconceito? É deveras inconcebível que em pleno século XXI o preconceito racial ainda persista. Diariamente, negros, pardos e tantos “escurinhos”, como dizem por aí, ou seja, os “não americanos de olhos azuis” sofrem desse mal ridículo.
Famosos
Preta Gil já foi alvo de ofensas raciais na web; o jogador de futebol brasileiro pelo time Partizan Belgrado, que no dia 19 de fevereiro deste ano foi xingado de macaco por parte da torcida rival; o volante do Palmeiras, também chamado de “macaco” pelo jogador do Peñarol, Gaston Rodríguez, em abril, em pleno Allianz Parque, “casa do Palmeiras”; a cantora Negra Li, recentemente teve o seu site oficial invadido por hacerks, quando uma imagem de um macaco passou a estampar a página principal da cantora junto com mensagens racistas; sem contar tantas outras vítimas, como os cantores Seu Jorge, Preta Gil, Thiaguinho, Ludmilla, Nego do Borel; a jornalista “Maju” Coutinho e a atriz Tais Araújo.
Xô, Xilindró!
Os ministros do STJ – Superior Tribunal de Justiça – aceitaram os pedidos de liberdade do prefeito de Ilha Solteira, Edson Gomes, preso desde março deste ano, em Araçatuba. Também acataram o pedido de liberdade do ex-diretor de Cultura do município, Nilson Miranda Nantes, e de Uesley Jânio Severo, empresário que teria participado de licitações com suspeita de fraudes. Eles estavam presos desde 2016. Na decisão da última terça-feira, dia 3, o STJ também impôs um afastamento de Edson Gomes no cargo de prefeito por até 180 dias. Ele, portanto, vai sair da prisão nos próximos dias, mas não deve voltar a ocupar a Prefeitura. Assim sendo, quem permanece no comando da cidade é o filho dele e vice-prefeito Otávio Gomes.
A prisão
Edson Gomes foi preso na manhã do dia 29 de março, logo depois de tomar posse. Ele teria aparecido na cidade pela manhã e ido para a Câmara de Vereadores, mas, como estava foragido da polícia, já que tinha um mandado de prisão expedido contra ele, acabou sendo preso logo depois. O então prefeito foi levado da Câmara para a carceragem da delegacia de Ilha Solteira, logo após uma rápida cerimônia de posse.
O caso
Como estava foragido da polícia, Edson Gomes não compareceu a diplomação do cargo e nem na cerimônia para tomar posse. Na ocasião, quem tomou posse foi o vice-prefeito, Otávio Gomes, que é seu filho. Ele estava foragido da Justiça desde novembro do ano passado acusado de fraudar licitações para realização de eventos na cidade entre 2009 e 2012, quando era prefeito. Segundo o Ministério Público, mais de R$ 1 milhão teriam sido desviados dos cofres da Prefeitura.
Contando com o ovo…
As ações para recebimento de férias e décimo terceiro interpostas pelos ex-prefeitos começam a ser julgadas. E a ação proposta pelo ex-prefeito de Três Fronteiras, Flávio Luiz Renda de Oliveira, foi julgada totalmente improcedente pelo juiz José Gilberto Alves Braga Júnior. A seguirem esses passos, inúmeros ex-prefeitos e ex-vereadoras não receberão as férias e o 13º Salário, ou seja, quem contava com o ovo no c…da galinha ou com os sapatos do defunto, pode esquecer.

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