Tópicos da Semana – Edição de 9/05/20

Publicado em 9/05/2020 00:05

Por Lelo Sampaio

Quem é burro?
Portugal é considerado hoje um bom exemplo de controle ao avanço do novo coronavírus. Diferentemente dos brasileiros, os portugueses seguiram à risca as recomendações da Organização Mundial da Saúde e logo no início da pandemia. As ruas estão vazias, comércio fechado, pontos turísticos sem turistas. Este cenário em Lisboa e em várias cidades do país explica porque os casos de Covid-19 são menores por lá, comparados aos da vizinha Espanha, por exemplo. E com menos casos por habitante, os doentes que precisam de atendimento têm mais chances. E pensar que aqui os portugueses têm fama de burros…

Olhos abertos
Em 13 de março, o primeiro-ministro português, António Costa, decretou o estado de alerta e o fechamento dos colégios. Tomou a medida ao mesmo tempo em que a Espanha, com a diferença de que esta registrava 6.000 contágios e 132 mortos, e Portugal apenas 112 positivos, nenhum mortal. Naquele mesmo dia, foi detectado o primeiro caso de contágio local, um dado importante para frear a expansão do vírus.

Rapidez
Do primeiro caso importado ao primeiro entre locais, 11 dias haviam passado, ao contrário da Itália e da Espanha, que demoraram 23 e 28 dias, respectivamente, para localizá-los. Sendo assim, os hospitais estão longe do colapso, e os de campanha nem foram capacitados, muito diferente do que está acontecendo no Brasil.

Brigas políticas?
Lá, o coronavírus, longe de distanciar instituições e partidos, aproximou-os. O presidente, Rebelo de Sousa (Partido Social-Democrata, PSD), e o primeiro-ministro, Costa (Partido Socialista, PS), se complementam e publicamente escondem suas discrepâncias. Não há provas de que a unidade institucional cure epidemias, mas sim de que as brigas políticas estimulam o mal-estar da sociedade. Nas redes sociais portuguesas, é impossível encontrar vídeos de cidadãos insultando ou raivosos (tampouco engraçados). Aqui, o que se vê, em meio à pandemia, um verdadeiro circo de horrores.

Gripezinha
Aqui, infelizmente, são muitas as conclusões precipitadas em torno no coronavírus, ao mesmo passo que poucas certezas temos ainda, embora já saibamos que o novo coronavírus não produz somente uma gripezinha, e isso já está provado, basta ver o que estamos assistindo no mundo todo. A segunda certeza é que, até surgir uma vacina, e ela irá surgir, o distanciamento social é a única forma de proteção consagrada, tanto que os países que tomaram cuidado com isso, como Vietnã e Grécia, têm taxas muito menores de contaminação do que aqueles que demoraram para agir.

Irresponsabilidades
A terceira certeza é que ainda não possuímos remédios milagrosos, até porque se houvesse algum a medicina já estaria o usando e os pacientes mais graves não estariam morrendo, de forma que é irresponsável dizer que este ou aquele remédio vai resolver o problema. E a quarta certeza que temos é que a Covid-19 ataca o organismo das pessoas, “corroi” a renda do país e desorganiza a sociedade, e isso já está comprovado, o resto é dizer coisas de forma precipitada.

Papo infeliz
É precipitado dizer que a Covid-19 tem predileção pela população mais velha, até porque se assim o fosse, o epicentro da Covid-19 teria sido o Japão, que é o país com a população mais velha do mundo, ou seja, é o país com a maior população de idosos do planeta, com cerca de 35 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Também chegaram a dizer que o clima quente protege contra o vírus. Se assim o fosse, Manaus e Fortaleza não estariam no topo da lista de mortalidade nacional.

Yo lo sé
Entretanto, enquanto os cientistas estão tentando buscar respostas que eles não têm para tentarem desbastar a desinformação, o que talvez surpreenda e impressione muitas pessoas é o fato de que no Brasil o nosso presidente se comporta como se tivesse conseguido as respostas que a ciência ainda não conseguiu.

Discrepância
Diversos líderes de outros países que, assim como todos nós, ainda não têm muito conhecimento sobre a pandemia, se cercaram de especialistas e seguiram a ciência, embora alguns presidentes resolveram se sentir à vontade para dar declarações que não ajudam a enfraquecer o vírus e muito menos a combatê-lo.

Vai entender…
No Brasil todos os governadores parecem estar “falando a mesma língua”. Todos, de alguma forma, estão adotando o distanciamento social, e estão assim o fazendo não porque querem destroçar a economia nacional ou o presidente da República, mas sim, e justamente porque querem combater as aglomerações, ao contrário do presidente que as promove. Não se pode entender….

Boa ação
No último final de semana, o ministro da Saúde, Nelson Teich, em um gesto de “tirar o chapéu” foi a Manaus para ver o problema in loco. Teeria sido maravilhoso se o presidente tivesse ido para Manaus, mas não foi. Preferiu ficar em Brasília e aparecer diante de manifestantes que foram gritar contra a ciência e contra a Constituição, na frente do Palácio do Planalto.

Agressões vis
É válido que as pessoas se manifestem em frente ao Palácio do Planalto apoiar o presidente, e isso é muito bom para um país, mas não foi isso que vimos. Muitas pessoas, nem todas, na manifestação, foram para lá agredir a ciência e a Constituição, além de jornalistas, tudo isso diante do presidente que tem que defender a Constituição (e seria muito bom também se defendesse a ciência).

Péssimo exemplo
O presidente, como todos puderam ver, não estava usando máscara, não colocou máscara na filha, abraçou pessoas sem máscara, viu pessoas tirarem suas máscaras para tirarem fotos ao lado dele, dando exemplo totalmente errado, se é que alguém tem dúvida de que ficar afastado e de usar a máscara ajudam no combate ou na prevenção contra a transmissão deste vírus que tanto tem aterrorizado o planeta, menos, quem sabe, e talvez, alguns perdidos no tempo e no espaço.

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