Tópicos da Semana – Edição de 9/09/17

Publicado em 9/09/2017 00:09

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Quem te viu, quem te vê
Era uma vez um administrador de empresas, pecuarista, cacauicultor e político brasileiro, filiado ao PMDB. Ex-deputado Federal eleito cinco vezes consecutivas pelo PMDB da Bahia, foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, no governo Dilma, e ministro de Governo no Palácio do Planalto sob a gestão de Michel Temer, tendo sido demitido aos seis meses no governo, após virem a público denúncias de corrupção. Foi preso preventivamente no dia 3 de julho na Operação Greenfield.
Pobre homem rico
Em 2015, com Dilma presidindo o país, foi às ruas em ato contra corrupção. Taxativo, disse ser inadmissível ter um governo tão incompetente, incapaz de nos tirar dessa crise econômica que faz com que o assalariado tenha seu salário comido pela inflação, com desinvestimento, obras públicas que não avançam, um país que se desorganizou, perdeu respeitabilidade… muito roubo, corrupção, assalto aos cofres públicos para enriquecer os petistas. Entretanto, nesta semana, enquanto o país acompanhava os desdobramentos da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, era em um imóvel vazio na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça, área nobre de Salvador, usado justamente por este elemento, que policiais se deparavam com várias caixas de papelão e malas abarrotadas de dinheiro. Quanto? R$ 51 milhões, uma parte em dólares -, a maior apreensão de dinheiro vivo já feita pelo órgão.
Cativeiro cativante
Os milhões em cédulas foram armazenados na residência que teria sido emprestada a ele por um homem identificado como Silvio Silveira, um corretor de imóveis, para que Geddel guardasse os pertences do pai, já falecido. Hoje, Geddel cumpre prisão domiciliar sem tornozeleiras eletrônicas na capital baiana.
Coisa de cinema
A Polícia Federal usou sete máquinas para contar os R$ 51 milhões apreendidos no bunker do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). A conferência da dinheirama atribuída a Geddel levou 14 horas para terminar – atravessou praticamente toda a terça-feira, 5, e invadiu o início da madrugada desta quarta-feira, 6.
Valores
Este valor é equivalente a 54 mil vezes o valor de um salário mínimo em vigor neste ano, de R$ 937,00; ¼ do que a União desembolsou neste ano para subsídios e financiamentos do Minha Casa Minha Vida; estimativa do último prêmio da Mega-Sena, sorteado no sábado passado, dia 2. Com esse “dinheiro de pinga” daria para pagar 1/6 da dívida da Uerj – Universidade do Estado do Rio de Janeiro –, que está de portas fechadas por conta da crise financeira; cobrir as despesas de 680 mil alunos no Enem – Exame Nacional do Ensino Médio -, levando em conta o custo do ano passado, de R$ 75,00 por aluno, que foi o exame mais caro da história.
E mais…
Daria para pagar a vida escolar de 89 filhos, considerando que eles estudem em escola particular de elite, com mensalidade de R$ 2,5 mil, desde a infância até o ensino médio. E depois ainda que sejam aprovados em faculdade privada, com o mesmo valor mensal, custeá-losem um curso superior de 4 anos de duração; pagar o benefício do bolsa família de 600 mil pessoas de um mês, levando em conta o subsídio de valor mais baixo; garantir a manutenção de um mês de 170 mil tornozeleiras eletrônicas, levando em conta um custo médio de R$ 300,00 de cada; pagar o salário de 22.174 professores com formação de nível médio e atuação em escolas públicas por um mês, considerando o piso de R$ 2.300 definido pelo Ministério da Educação que não é cumprido por todos os estados; adquirir 1.458 carros populares; arcar com a despesa mensal de 21.250 presidiários, incluindo alimentação e manutenção, considerando um custo de R$ 2.400 como média nacional.
Caradura
A postura cínica de muitos que participaram do movimento anticorrupção lembra a história de que na prática a teoria é outra. Nas eleições que se avizinham, em quem iremos votar se o sistema está pobre em si mesmo? É chegada a hora de reinventar a política. Do jeito que está nada vai mudar. Os eleitos serão os mesmos de sempre. E o país e o povo, oras isso é pequeno detalhe…
Mancomunação
Os conchavos espúrios – no mais das vezes – as portas fechadas, na calada da noite, transforma o Brasil em um país de metralhas, e não só petralhas, onde todos os políticos são irmanados na corrupção e aí salvo honrosas exceções, e a desesperança é a palavra do momento de todos nós brasileiros. Chegamos ao fim?

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