Tópicos da Semana – Edição de sábado – 1/09/18.

Publicado em 1/09/2018 00:09

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

As pauladas do Nacional

O Jornal Nacional iniciou nesta segunda-feira, 27, entrevistas com os candidatos à presidência da República, sendo eles, por ordem de sorteio, Ciro Gomes, do PDT; Jair Bolsonaro, do PSL; Geraldo Alckmin, do PSDB e Marina Silva, da Rede, e também de acordo com os nomes com maior intenção de votos entre os eleitores brasileiros, segundo pesquisas de vários institutos, como o Ibope e o Datafolha. O nome do âncora do jornalístico da TV Globo, William Bonner, acabou figurando entre os mais comentados do Twitter, pela atitude considerada “hostil” do apresentador. Na bancada do JN, Bonner e Renata Vasconcellos receberam o postulante do PDT quase como a pauladas, assim como fez, juntamente com a jornalista Renata Vasconcellos com todos os outros ao longo da semana. Faltou-lhes ética jornalística.

Arrogância

Nas redes sociais, no entanto, William Bonner foi detonado pelos telespectadores que repercutiram a entrevista no Twitter, e foi considerado “mal educado, prepotente e arrogante”. Na entrevista com Ciro Gomes, os apresentadores ocuparam mais de 40% do tempo com perguntas, comentários e interrupções ao candidato do PDT. A sequência com os candidatos terminou anteontem, com Marina Silva, mas passaram pela bancada do Jornal Nacional Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin, tratados uns mais outros menos, é claro “a pontapés”.

Metralhando…

O fato é que, conforme lembrou a Fórum durante a entrevista, assim como nas eleições de 2014, o editor e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, usou contra Ciro Gomes, em entrevista, sua tática de “metralhadora giratória”. Interrompeu Ciro durante todas as respostas a ponto de, em inúmeros momentos, o candidato ter que pedir para falar. Com uma postura incisiva, o apresentador do telejornal tentava enquadrar o pedetista e tirar dele falas críticas, por exemplo, contra o ex-presidente Lula ou contra o presidente de seu partido, Carlos Lupi.

BolsonaroA segunda noite de entrevistas com os candidatos à Presidência da República do Jornal Nacional aconteceu nesta terça-feira, 28, e recebeu o presidenciável do PSL Jair Bolsonaro, que acabou protagonizando um embate ao vivo com Renata Vasconcellos sobre a diferença salarial entre homens e mulheres. Na ocasião, os apresentadores do JN questionaram o deputado sobre quais as propostas dele para acabar com essa desigualdade.

Palpite infeliz

Após se esquivar da pergunta e tentar tergiversar, Jair Bolsonaro jogou a responsabilidade ao Ministério Público, e comparou a atual situação brasileira aos salários dos apresentadores. “Eu estou vendo aqui uma senhora e um senhor [Vasconcellos e Bonner], eu não sei ao certo, mas há uma diferença salarial aqui. Me parece que muito maior para ele do que para a senhora. São cargos semelhantes, não são iguais.” Logo em seguida, Bolsonaro foi pego de surpresa por uma declaração de Renata Vasconcellos, que acabou viralizando nas redes sociais.

Desconhecimento de causa

“Seu salário de deputado nós pagamos. E sabemos qual é, como cidadã e contribuinte. O meu, na iniciativa privada, não sou obrigada a dizer. Mas o senhor saiba que não aceitaria receber menos que um homem na mesma função que eu”, afirmou a jornalista.

Ah, o Kit Gay

Jair Bolsonaro levou o livro infantil “Aparelho Sexual e Cia” à bancada do programa. Em um momento da acalorada conversa, o candidato à Presidência da República tentou mostrar às câmeras, inclusive pedindo para que os pais retirassem as crianças da sala, o conteúdo da publicação e, a plenos pulmões, enfatizou: “Um pai não quer chegar em casa e ver o filho brincando com boneca por influência da escola”. Bonner pediu que ele não mostrasse o material, não pelo conteúdo em si, como querem acreditar seus admiradores, mas, sim devido a uma regra que diz que os candidatos não podem mostrar qualquer material impresso.

Pedofilia?

Traduzida para mais de dez idiomas e que teve cerca de 1,5 milhão de exemplares vendidos, a obra chegou ao Brasil pela Companhia das Letras em 2007. Em inúmeros países da Europa, como a França, a publicação inspirou uma exposição infantil sobre sexualidade, com informações e atividades inspiradas nos capítulos. Já no Brasil, em 2015, a Promotoria do Distrito Federal cobrou esclarecimentos sobre o livro à Companhia das Letras. Um ano depois, Jair Bolsonaro divulgou um vídeo em suas redes sociais onde resumia o livro a “uma porta aberta para a pedofilia”…, bem, mais este é outro assunto a ser debatido.

Chuchu corrupto?

Com o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, a metralhadora dos âncoras voltou a ser ativada e o postulante ao cargo suou frio durante os 27 minutos. Bonner e Renata tentaram contemplar diversos temas, como saúde, violência, habitação e transporte público, mas os casos de corrupção envolvendo o PSDB e seus aliados foram o centro do debate, tomando boa parte dos 27 minutos de entrevista. Em várias situações, Alckmin se esquivou das perguntas sobre corrupção, o que fez Bonner e Renata insistirem seguidamente, voltando à pergunta inicial. Muitas vezes, Bonner e Alckmin se interrompiam e falavam ao mesmo tempo.

Tudo numa nice!

Quando o assunto foi segurança pública, os apresentadores da Globo questionaram o fato de o PCC ter nascido em São Paulo e ter se espalhado pelo restante do Brasil e até para o exterior. Alckmin negou falha na política de segurança durante seu governo estadual, citando a queda nos números de assassinatos em São Paulo.

Acéfala de propostas

Já com a candidata Marina Silva, Renata Vasconcellos teve a participação mais discreta que nas entrevistas anteriores. Assim, o embate da noite foi entre Marina e Bonner. Os apresentadores questionaram Marina sobre a viabilidade de seu governo se fosse eleita, pondo em dúvida sua capacidade de liderança. Renata também afirmou que Marina raramente apresenta propostas concretas para temas polêmicos. Na visão da jornalista, a candidata sempre diz que “é preciso debater”. Marina contestou essa impressão, dizendo que tem propostas claras. Mesmo assim, Renata Vasconcellos lembrou que os críticos de Marina dizem que ela não tem postura clara diante de temas importantes, como a reforma da Previdência. Renata disse que ela sempre fala que precisa debater, repetidamente, mas não faz uma proposta concreta. “Como candidata à presidência, por que não assumir postura e posições?”, questionou Renata.

Debater, debater, debater

“Mas se tem alguém que defende a reforma da Previdência, sou eu. Sou a favor dela. A gente se acostuma com pacotes. Então, quando alguém fala que vai debater, acham estranho. Um problema tão complexo não pode ser feito a toque de caixa”, e Bonner então a questionou “Mas em oito anos não deu para amadurecer as ideias?” e, afirmando que amadureceram, Marina disse, novamente, que é preciso debater, e Renata não perdeu a oportunidade: “Novamente aí, debater, debater, debater”.

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