Tópicos da Semana – Edição de sábado – 15/09/18

Publicado em 15/09/2018 00:09

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Nebuloso
Parece mesmo que o eleitor, embora muitas pesquisas apontem o fato de forma contrária, nunca dantes esteve tão confuso quanto a quem escolher nas próximas eleições, e isso talvez se deva ao fato dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo diversos políticos país afora. A Lava Jato já provou que tem feito um trabalho ímpar, embora, se tratando de terra brasilis, alguns parecem ainda ser intocáveis. Mais esta é outra história. O fato é que daqui a exatos vinte e dois dias das eleições, muita gente ainda não escolheu seus candidatos a deputados estadual e federal, senador, governador e presidente.
Ahh, as pesquisas!!!
Em ano eleitoral, como sempre, chovem pesquisas. Para se ter uma ideia deste “fenômeno”, somente nesta semana houve quatro pesquisas, realizadas pelo Ibope, Datafolha FSB/BTG Pactual e Crusoé, e todas apontaram unanimemente que o candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, está em primeiro lugar para o primeiro turno, mas com índice de intenções de votos diferentes. Certo é que a metodologia usada tem influência no resultado da pesquisa. A pesquisa, algumas vezes, não é falsa, mas é “viciada” pela metodologia, ou ainda, viciada dentro da própria margem de erro. Na última eleição para presidente dos USA os institutos ‘pagaram mico’. As pesquisas também apontam que ele perde no segundo turno.

Iminência de segundo turno
A pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira, dia 10, aponta que o candidato à Presidência Jair Bolsonaro não vence nenhum adversário nas simulações de segundo turno. Ele perde para Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) e fica tecnicamente empatado com Fernando Haddad (PT). Ainda segundo a pesquisa, se o segundo turno chegar a ser disputado por Ciro e Bolsonaro, Ciro teria 45% e Bolsonaro 35%; Marina com Bolsonaro, a primeira com 43% e o segundo com 37%; Bolsonaro com Alckmin, o peessedebista levaria a melhor, com 43% contra 34% para Bolsonaro; e, no caso de Haddad com Bolsonaro, o primeiro teria 39% contra 38% para o segundo.
Será?
Mas o fato é que no Brasil, aonde usamos as tão questionadas urnas eletrônicas, muitos afirmam não ter como desassociar essas pesquisas de má fé. Como negar ou não questionar a lisura de tais pesquisas. E, ainda, como não acreditar que tudo isso pode fazer parte de um esquema de tentativa de fraude eleitoral. Na última terça-feira, dia 11, foi divulgada uma foto de alguns suecos contando os votos em cédulas, prova de que lá parecem não confiar no modelo que aqui adotamos. Muitos eleitores do candidato Bolsonaro já afirmam por aí que, se ele não se eleger no segundo turno, o motivo seria a fraude nas urnas, daí a “preocupação” que ele consiga “se safar” logo no dia 7 próximo.

Do lado de lá
O Supremo Tribunal da Alemanha decidiu que o voto eletrônico é inconstitucional, pois considerou que uma vez depositado o voto, o pressuposto da legitimidade está na garantia de qualquer cidadão poder averiguar a fidedignidade do voto, ou seja, qualquer pessoa pode acompanhar de perto a contagem dos votos. A Argentina adotou o voto eletrônico impresso para garantir a legitimidade das urnas e, assim, muitos outros países. Em quase todo o mundo onde se usa voto eletrônico, modelos de primeira geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja, modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam causar erros não detectados nos resultados da votação).

Habemus Presidente
Alguns ainda afirmam que no voto em cédula pode-se anular ou mudar alguns votos, mas dizem que dificilmente muda-se o resultado da eleição. No voto eletrônico, sem voto impresso, pode-se, sim mudar o resultado da eleição e não há como auditar os votos, e no Brasil, a eleição para presidente, a totalização é no TSE em Brasília, aonde alguns cidadãos dizem que poucos têm acesso e devem ser previamente autorizados. Aí ficamos igual à eleição do Papa, simplesmente esperando o cardeal anunciar o nome do ungido em Brasília: Habemus Presidente.
Uma por uma
Não se questiona aqui a idoneidade dos juízes eleitorais, funcionários públicos da justiça eleitoral e nem dos mesários e de tantos outros envolvidos no processo das eleições, muito pelo contrário, são homens de bem, pessoas respeitáveis cumprindo a missão de zelar pelas eleições com muito afinco, mas a esses muitos acreditam que deveriam ser também atribuídas a função da contagem dos votos em cédulas.

Melhoramos
Pela primeira vez o Brasil melhorou de posição num ranking internacional de combate à corrupção. Em Johanesburgo, na África do Sul, a força-tarefa da Lava Jato recebeu um prêmio especial. A Associação Internacional do Ministério Público destacou que o combate à corrupção e à fraude em grande escala ajudou no fortalecimento do estado de direito no Brasil. No Rio, a Transparência Internacional divulgou um relatório sobre corrupção transnacional, que é o pagamento de propina por empresas para autoridades de outros países.
De pior ao quase bom
Pela primeira vez, o Brasil melhorou neste ranking. Três anos atrás, estava na pior posição, quando aparecia no grupo de países com pouco ou nenhum combate à corrupção. Em 2018, subiu para a segunda melhor categoria, chamada de “esforço moderado”. O Brasil está agora ao lado de países como Portugal, Suécia e Austrália.

Transnacional
O levantamento foi feito em 44 países que são responsáveis por 80% das exportações mundiais. Segundo o estudo, o Brasil melhorou no ranking da corrupção por causa de investigações sobre suborno transnacional praticado por empresas brasileiras. A melhora do Brasil no ranking da corrupção foi por causa, principalmente, da “conclusão satisfatória do caso envolvendo a Embraer”, que deu propina para vender aviões militares a outros quatro países. A empresa pagou indenização e, com isso, encerrou a acusação.

Lava Jato
Segundo o consultor da Transparência Internacional, Guilherme Franz, a Operação Lava Jato é um grande sinal de mudança nos tempos do Brasil. Também demonstrou um novo momento de disposição dos órgãos públicos em atuar no combate à corrupção transnacional.

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