Tópicos da Semana – Edição de sábado – 26/01/19

Publicado em 26/01/2019 00:01

Por Lelo Sampaio
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Plateia gelada

Na última terça-feira, dia 22, em seu primeiro discurso como presidente do Brasil no exterior, que, aliás, fora amplamente divulgado por alguns meios de comunicação, Jair Bolsonaro disse que irá resgatar os valores e a economia do Brasil. Ele participou, nada mais nada menos da abertura da 39ª edição do Fórum Econômico Mundial, que reúne a crème de la crème da política global, em Davos, na Suíça. O discurso, inicialmente, estava previsto para durar 45 minutos. Durante a manhã, o tempo diminuiu para 30 minutos, mas Bolsonaro discursou apenas sete. A temperatura naquela cidade naquele dia registrava -9º, e parece que a plateia estava congelada. Para o presidente, haja disposição para enfrentar um frio daquele…
Poucas palavras

Para os congelados, porém atentos, Bolsonaro destacou, mesmo que alguns digam que tenha sido em poucas palavras, a disposição do Brasil na abertura econômica, no combate à corrupção e no compromisso com o meio ambiente. E destacou que “aqui, entre nós, está Sérgio Moro, nosso ministro da Justiça, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro”. Também citou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Laços estreitos

Enfaticamente disse que o Brasil poderá estreitar laços não apenas laços de amizade com outros países, mas também aprofundar as relações comerciais. Disse sobre a importância do turismo e convidou para que o mundo possa conhecer as riquezas do Brasil, como a Amazônia, as praias, o Pantanal, dentre outras. “Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo”, disse.
Bons negócios

Ele também falou sobre as mudanças econômicas que trará para o Brasil. “Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre (sempre?) (sic) teve em nós. Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos”. Para isso, Bolsonaro disse que vai tirar “o viés ideológico” das políticas internacionais, ato dinamizado pelo ministro Ernesto Araújo. “Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo. Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia”, destacou.
Eleição bonita de se ver

Bolsonaro também destacou a vitória das eleições, mesmo com poucos recursos financeiros e pouco tempo de propaganda no rádio e tevê no primeiro turno. Durante campanha, ele disse ter sido “injustamente atacado a todo tempo”. Após o discurso, questionado sobre como Bolsonaro garantiria o combate à corrupção, o presidente disse que nomeou ministros sem viés político-ideológico, e sim pela competência técnica. Além disso, destacou a ascensão de governos de direita na América Latina. “A esquerda não prevalecerá na região. O que é bom no meu entender, não só para a América do Sul, como para o mundo”, completou.
Ahhh, os jornalistas! Até lá?

Jornalistas, enviados por alguns dos maiores veículos de comunicação do mundo para cobrir o Fórum Internacional de Davos, ficaram chocados com o discurso do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. ‘Curto’, ‘hesitante’, ‘fraco’ e ‘estranho’ foram algumas das reações à fala do presidente, que tinha ao seu dispor 45 minutos para falar ao mundo, mas que preferiu usar menos de dez.
Twitt I

Muitos jornalistas fizeram seus twitts logo após a fala de Bolsonaro. A jornalista chefe de economia do jornal americano Washington Post, Heather Long, disse que Bolsonaro prometeu um “novo Brasil”, com menos impostos e mais comércio, falou em proteger o ambiente e criticou a imprensa, dizendo ser tratado de forma injusta. Em um segundo twit, ela concluiu: “Para resumir: o presidente brasileiro Bolsonaro falou por menos de 15 minutos. Grande fracasso. Ele tinha o mundo inteiro o assistindo e o melhor que conseguiu dizer foi para as pessoas passarem férias no Brasil. Ele é chamado de ‘Trump da América do Sul’, mas pareceu fraco”.
Twitt II

Ben Marlow, do periódico britânico Daily Telegraph disse que “é justo dizer Bolsonaro não cumpriu as expectativas. Bastante apático, um discurso engessado que durou menos de 15 minutos, que pareceu extremamente editado e que passou voando por uma longa lista de promessas já feitas. Não consigo imaginar ele sendo convidado de novo em um futuro próximo”.
Twitt III

O editor-chefe da prestigiada revista Americas Quarterly, Brian Winter, disse que “o discurso de Bolsonaro em Davos foi muito mais curto do que o esperado, não mencionou a reforma da previdência, não deu detalhes nem quando perguntado. ‘Nunca vi nada parecido em se tratando de presidentes por aqui’, me escreveu um amigo. ‘Realmente bizarro’. Ele ainda citou um email enviado que dizia: “Desastre. Eu queria gostar dele, mas ele não disse nada. Por que veio?”
Twitt IV

Sylvie Kauffmann, jornalista que é tanto diretora editorial do francês Le Monde como colaboradora do jornal americano New York Times, twitou em francês:
“Fracasso de Bolsonaro em Davos, incapaz de responder concretamente as perguntas feitas por Klaus Scwab. 15 minutos de generalidades”.
Esperança

Por mais que este ou aquele jornalista não tenha gostado do que viu e ouviu, devemos, sim, acreditar que, como tudo está apenas no começo, as coisas se encaminharão para o lado bom. Devemos, acima de tudo, acreditar que este país tem jeito e que haveremos de encontrar uma saída!!!

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