Tópicos da Semana – Edição de sábado – 6/10/18

Publicado em 6/10/2018 00:10

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Ufa, que eleição

Talvez devido a era das redes sociais, onde tudo se propaga muito rapidamente, tanto as notícias verdadeiras como as recém denominadas Fake News, os eleitores brasileiros nunca estiveram tão antenados e, consequentemente, ansiosos para os resultados das urnas de amanhã. Porém, provavelmente o fato mais determinante para esta mudança de comportamento seja justamente a necessidade de mudança, até porque, como diz a maioria, “não aguentamos mais como está”. Que esta eleição está sendo uma das mais calorosas de toda a nossa história, não há a menor dúvida, principalmente quando nos referimos aos eleitores. O que presenciamos durante esse processo eleitoral de primeiro turno foi que, talvez por estarmos nos sentindo tão abandonados, politicamente falando, nossos candidatos parecem ter vindo para literalmente salvar a pátria. É aquela história: Ou vai ou racha.
Engajamento

É mais do que certo que centenas de milhares de eleitores estaam deveras ansiosos para saber o resultado das urnas. Já não estamos mais vivendo aquela época quando se ouvia dizer que “tanto faz, meu candidato ganhando ou perdendo, minha vida continuará a mesma”. Muito pelo contrário. O cenário atual é de um maior engajamento político por parte da grande parte dos eleitores. Algo de novo está por vir, tem que vir, deve vir, chega de “tanto sofrimento”, e olha que já se ouve eleitores dizendo ter feito promessas; outros, que acenderão velas, e por aí vai…
Não mais

É certo, também, que há os eleitores “pirraça”, aqueles que estejam esperando pelos resultados para, depois, dizer que “viram só, ajudei a eleger fulano, contribuí para a eleição de cicrano e tenho parcela na vitória de beltrano”. Na contramão dessa bobagem, percebe-se é que a grande maioria do eleitorado brasileiro já não quer mais os candidatos com passado obscuro, ou os envolvidos em escândalos, ou ainda os que conseguiram continuar na luta por liminares. Não estamos mais sendo tão enganados por falsas promessas. Parece que a velha forma de se fazer política não é mais aquele osso duro de roer que nos colocaram no prato por tantos anos.
Nova modalidade

Também nestas eleições, como nunca e com tanta intensidade, percebemos o surgimento de um novo seguimento: o cabo eleitoral de rede social. O Facebook, mais precisamente, virou uma espécie de “horário nobre de campanha eleitoral”. Terra de (quase) ninguém, todos publicam a respeito de seus favoritos, e mais, brigam calorosamente como se estivessem defendendo seus familiares, se é que alguns defendem suas famílias da mesma forma como vêm fazendo com seus preferidos. A sensação que se tem é que muitas pessoas, embora saibamos que trabalhem, ocupando até mesmo cargos importantes na cidade, nada mais têm o que fazer, a não ser postar os prós de seus candidatos e os contras de seus desagrados.
Tempo recorde

Nas últimas três eleições presidenciais, os brasileiros foram dormir sabendo quem era o presidente eleito (ou reeleito) do país. Os resultados do 2º turno da disputa foram conhecidos antes das 22:00 horas, a tempo de serem anunciados nas capas dos jornais do dia seguinte. A diferença é muito grande em relação às votações de décadas anteriores, quando a apuração dos resultados demorava vários dias. A urna eletrônica é a responsável por essa mudança.
Exemplificando

Nas últimas eleições, os brasileiros no exterior e em locais remotos da floresta amazônica, por exemplo, tiveram seus votos contabilizados com poucas horas de diferença em relação a quem vota numa grande cidade do país. A apuração é rápida porque as urnas não precisam necessariamente viajar até as capitais dos estados, onde estão os TREs – Tribunais Regionais Eleitorais –. Os dados são transmitidos online, geralmente numa rede privativa da Justiça Eleitoral.
Processamento

Logo depois, os computadores presentes em cada urna eletrônica fazem a apuração dos votos e produzem um arquivo chamado RDV – Registro Digital de Voto – que é imediatamente inserido numa espécie de pen drive, denominado de “memória de resultado”. Esse aparato é levado até algum ponto onde haja acesso à rede privativa da Justiça Eleitoral. Dessa forma, não é necessário transportar a urna para que o resultado produzido por ela seja totalizado, bastando apenas transportar um pen drive até um ponto de acesso à rede privativa da Justiça Eleitoral.
Aos desconfiados, calma!

Para aumentar a segurança, o arquivo é assinado digitalmente, numa cerimônia pública e os resultados são transmitidos online, mas, na maioria dos casos, não viajam pela mesma rede mundial de computadores que usamos, até porque a Justiça Eleitoral conta com uma estrutura de comunicação própria, privativa, fornecida pelas operadoras de telefonia. Locais de votação, cartórios eleitorais, TREs dos estados e o TSE passam a estar conectados por uma intranet, rede privada de computadores, pela qual os resultados são transmitidos. Vale ressaltar, para que não haja a menor dúvida a respeito de possíveis fraudes, é que o único ponto de encontro entre essa intranet eleitoral e a internet que todos usamos fica no TSE, em Brasília. O tribunal controla o acesso, ou seja, nos dias de votação, a internet fica praticamente inacessível no TSE. Portanto, confiemos, sim, porque não?

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