Tópicos da Semana – Edição de sábado – 9/06/18.

Publicado em 9/06/2018 00:06

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).
Mas que ânimo…

Qualquer brasileiro, fora do país, que porventura perguntar a um estrangeiro sobre o que ele sabe sobre o Brasil inelutavelmente ouvirá os substantivos “caipirinha”, “carnaval”, “samba”, “mulata”, e, é claro, o “futebol”, e tal resposta lhe virá quase que de forma instintiva, o que a nós não é nenhuma surpresa, pois já nos consagramos mundialmente como o país do futebol, embora o status de potência do futebol não impediu o vexame da Copa de 2014, com o amargo 7 x 1 que sofremos na final contra a Alemanha.

Que venha outubro

Uma pesquisa de abril, divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas, revelou que 65,8% dos brasileiros estão pouco ou nada interessados na Copa do Mundo da Rússia, que tem o seu início marcado para daqui a exatos cinco dias, e é bem provável que tamanho desinteresse esteja ligado ao momento político pelo qual estamos passando, e que momento, ufa! De fato, muitos brasileiros estão mais preocupados com outubro do que junho e julho. A torcida está mais temerosa com a crise e a consequente instabilidade política e econômica que se segue do que com o esquema tático da seleção de Tite.

Pão ou circo?

A maneira como foram conduzidos os treinamentos da seleção brasileira antes de embarcar para os dois últimos amistosos de preparação para a Copa do Mundo também agravou este distanciamento. O que se via eram jogadores chegando de helicóptero à Granja Comary e embarcando para a Europa em um avião luxuoso. Porém, na hora do primeiro gol do Brasil, isso deverá mudar, até porque já circulam no WhatsApp mensagens com as datas e horários dos jogos, e, timidamente, churrascos já estão sendo organizados. Quando a Copa do Mundo começar para valer, as ruas deverão ficar desertas. O brasileiro troca, se necessário, o pão pelo circo. Isso é fato comprovado.

Sem dinheiro

A grandessíssima maioria dos brasileiros está literalmente sem dinheiro. Se paga a conta de luz, “empurra com a barriga” a conta de água até quando der. Quando paga o serviço de abastecimento de água, “deixa de lado” o empréstimo no banco, e por aí vai. Sabe-se lá quantos cheques sem fundo serão dados para abastecer os encontros de torcedores. Sabe-se lá quantos cartões de crédito haverão de ser usados para comprar o carvão do churrasco, e nesse empurra e estica os encontros acontecerão a qualquer custo, afinal, é a tal história, já estamos no buraco, que respiremos aliviados por algumas horas, e salve o futebol.

Copa no ar

Bem recentemente o país literalmente parou por ocasião da paralização dos caminhoneiros, e agora haverá de parar por extremo ufanismo. Não haverá Lula Livre, Lula preso, Aécio, Alckmin, corrupção, Congresso Nacional, roubalheiras e etc. Grande parte dos brasucas haverão de ir ao chefe pedir para sair mais cedo para assistir aos jogos, e muitos irão vestir a camisa verde e amarela em dia de peleja. Já é possível observar algumas bandeirinhas discretas nos carros, outras nem tanto, como aquelas poucas coladas nos capôs dos veículos.

Estância verde e amarela

Há exatamente um mês, a Estância Turística de Santa Fé do Sul se pôs decorada, isso porque a Administração Municipal, por meio da Secretaria de Turismo e Projeto Sonho de Natal, em parceria com a Associação Comercial, enfeitou a área central da cidade com bandeiras e muito verde e amarelo para receber os torcedores durante os jogos mundiais. O prefeito Ademir Maschio ressaltou que este foi um projeto pensado com muito carinho junto aos parceiros para que a cidade ficasse alegre e acolhedora durante os jogos.

Sem muitos resultados

A época, a coordenadora do Projeto Sonho de Natal, Josi Buosy, a decoração antecipada serviria justamente para incentivar ainda mais os torcedores e fomentar o comércio local. Entretanto, ao que tudo indica, a ideia, embora boa, não surtiu grandes resultados, haja vista que o panorama na cidade é bem diferente.

O comércio não esverdeou

A reportagem percorreu as principais ruas do comércio de Santa Fé na última quinta-feira, dia 7, e pode perceber que no máximo, e olhe lá, 5% das lojas apresentam algum tipo de decoração. As poucas vistas possuem apenas pequenas bandeirolas com as cores da bandeira, ou escassos bolas e balões verdes ou amarelos. Pouquíssimas são as lojas vendendo a camisa da seleção.

Ai se não fosse…

Não se pode culpar o prefeito, a coordenadora do Sonho de Natal e tampouco a Associação Comercial, muito pelo contrário, até porque se não fosse a referida decoração nem estaríamos “percebendo” que estamos às vésperas da Copa Do Mundo. O fato é que os lojistas parecem mesmo estar desestimulados, tamanha a crise, e mais, os estoques de bugigangas alusivas a Copa também são bem menores do que nas edições passadas.

Mas, é goooollllll

É certo que o futebol tem grande expressão na vida do brasileiro. Trata-se de um espetáculo que desperta emoção, alegria e paixão, além de ser um fenômeno social capaz de fazer uma pessoa chorar, gritar, vibrar, rir, pular de alegria e até brigar, além de nos “anestesiar”, pois é através dele que muitas vezes nos esquecemos das vicissitudes do dia a dia. É, talvez, o refúgio e o remédio do brasileiro que, mesmo por alguns instantes, se sente grande e forte ao gritar goooooolllllll.

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