DISPARA OCUPAÇÃO DE LEITOS DE UTI COM PACIENTES COVID-19 NO HB E NA SANTA CASA

Publicado em 30/06/2020 09:06

Uma das UTIs do Hospital de Base de Rio Preto para a Covid-19

O Hospital de Base de Rio Preto atingiu nesta segunda-feira (29) a marca de 51,28% de ocupação de seus 117 leitos de UTI disponibilizados para pacientes Covid-19 (suspeitos e confirmados), num total de 60 internações no setor.
Para se ter ideia, na segunda-feira da semana passada (dia 22), esse percentual era de 35,4%, com 41 doentes em unidades de terapia intensiva. Os dados do HB refletem uma aceleração regional no volume de casos com quadros mais graves da doença, uma vez que a instituição atende 107 municípios, incluindo Rio Preto.


Na Santa Casa de Rio Preto, que atende principalmente pacientes SUS de Rio Preto e entorno, desde segunda-feira da semana passada (22) o sinal de alerta foi disparado, quando a ocupação nos leitos de UTI bateu em 75%. Nesta segunda, o comprometimento da capacidade caiu, mas segue preocupante, com 66% de vagas ocupadas, totalizando 67 internados.


Ainda Santa Casa, a ocupação das enfermarias também chama a atenção, tendo chegado a 90% na segunda passada e cravado 80% nesta segunda. Já, no HB, dado o grande número de leitos disponíveis, a situação é menos dramática nas enfermarias, com apenas 24,64% de comprometimento.


Além do volume maior de infectados, o que as autoridades de saúde temem é proporção maior também de pacientes que estão precisando de tratamento intensivo. De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde nesta segunda-feira, Rio Preto chegou a 2.601 casos positivos e 78 óbitos, sete em dois dias.


O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), que vem assumindo o desgaste de medidas indigestas no combate à Covid-19, percebeu que multar comerciantes e cidadãos por falta de máscaras já é demais para quem tem encontro marcado com as urnas muito em breve.
O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (29) que pessoas e estabelecimentos comerciais que não cumprirem a obrigatoriedade do uso de máscaras serão multados. Quem for flagrado sem o acessório em local público terá de pagar R$ 500. Já os comerciantes vão ser penalizados em R$ 5 mil para cada cliente. A fiscalização e efetivação caberão aos municípios e os valores arrecadados serão revertidos em cestas básicas, segundo o tucano.
Questionada pelo DL News, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Rio Preto afirmou que, na cidade, o modelo segue o mesmo: as pessoas abordadas sem máscaras serão apenas “orientadas”, sem multas ou qualquer outra penalidade.
O primeiro dia útil de mini-lockdown deixou representantes de alguns setores de Rio Preto confusos, achando que poderiam atuar no modelo anterior a 1º de julho. Ou seja, no esquema drive-thru (no caso de lojas) ou com serviços internos (no caso de escritório). O mal-entendido foi desfeito pela gerente da Vigilância Sanitária, Miriam Wowk. “As empresas não podem abrir as portas nem realizar serviços internos”, afirmou.
Nos dias de lockdown (domingo, segunda e terça), somente os chamados serviços essenciais podem funcionar normalmente, que são supermercados, mercearias, drogarias, postos de combustíveis, óticas, materiais de construção e distribuidoras de gás.
Neste caso, a fiscalização sobre o cumprimento das normas de funcionamento em tempos de Covid-19, a cargo da Vigilância Sanitária, está fazendo valer os decretos estaduais e municipais. Até o momento, 318 estabelecimentos comerciais foram autuados, dos quais cinco receberam advertência e quatro foram multados: um restaurante, um supermercado, uma lanchonete e um banco.
Dos três deputados federais da região de Rio Preto, apenas Geninho Zuliani (DEM), de Olímpia, se arriscou a cravar uma posição em relação ao assunto que mobiliza a Câmara Federal no momento: a PEC 18/20, que adia as eleições municipais em razão da pandemia do novo coronavírus. A expectativa é de que o tema entre em votação nesta terça-feira (30) ou quarta (1º).
Texto aprovado semana passada no Senado estabelece as votações nos dias 15 de novembro (1º turno) e 29 de novembro (2º turno). O calendário oficial prevê os dias 4 outubro e 25 de outubro, respectivamente. Em entrevista ao DL News na sexta-feira (26), Geninho se disse favorável à mudança, desde o pleito ocorra ainda em 2020.
Já o deputado federal Luiz Carlos Motta (PL) preferiu não se comprometer em relação a seu voto. “Nesse momento, estamos ouvindo autoridades sanitárias e de saúde, porque precisamos de proteção para quem vai votar e para quem vai trabalhar. Somente após essa discussão detalhada, poderemos prosseguir para a data das eleições, mas a nossa preocupação é com a vida dos brasileiros”, afirmou o parlamentar ao DL News na tarde esta segunda (29).
Também questionado pela coluna, o deputado Fausto Pinato (PP), de Fernandópolis, foi na mesma linha: “Com o devido respeito, são os médicos quem devem informar para o Parlamento a data factível que podemos fazer as eleições, sempre priorizando a vida e não a política. De minha parte, votarei sempre priorizando a orientação dos médicos infectologistas. A ideia é proteger a vida de todos: dos eleitores e candidatos”.
As posições de Pinato e Motta apenas corroboram a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), nesta segunda-feira (29) de que ainda não havia na Casa acordo para votar, e passar, a proposta de prorrogar as eleições. Partidos do Novo Centrão – Republicanos, PP, PL e PSD, entre os principais – são os mais reticentes. Vale lembrar que o DEM faz parte do antigo Centrão.
O deputado federal Marcos Pereira, cacique do Republicanos, capitulou ao longo das reuniões do último final de semana e declarou que a legenda vai votar favorável à mudança. Já o PP e o PL, de Pinato e Motta, respectivamente, ainda não tinham fechado posição, daí a posição “indefinida” dos dois. Entre as contrapartidas de boa parte do Centrão para votar a mudança, está a volta da propaganda partidária em rádio e televisão, que deixou de existir em 2017, ficando apenas a campanha eleitoral. DLNews.

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