O CUSTO OCULTO DO SUBSÍDIO

Publicado em 6/06/2018 16:06

Está em curso no país uma retomada do controle de preços e de subsídios ao setor dos combustíveis, cujas consequências serão péssimas para a economia.
Tudo começou com a greve dos caminhoneiros, que levou o governo a tentar reduzir o preço do diesel. O Congresso discute hoje um projeto que grava em lei várias outras reivindicações deles.
As medidas já adotadas incluem o tabelamento do frete, a “fiscalização” do preço final na bomba e, depois da queda de Pedro Parente da presidência da Petrobras, prometem se estender à gasolina e ao gás de cozinha. O governo anunciou que a ANP – Agência Nacional de Petróleo – será responsável por controlar prazos de reajustes da gasolina, ao contrário do que ocorria na gestão Parente.
O novo presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, se dispôs a colaborar. Afirma que, apesar disso, as flutuações internacionais serão repassadas aos preços. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, negou cogitar um subsídio à gasolina. Mas o fantasma voltou a assombrar o mercado.
Não há como negar o fracasso da política de reajustes diários da Petrobras. O risco, porém, é forçar a mão na direção oposta. Obrigar a empresa a vender mais barato no Brasil, em vez de exportar, reduz sua capacidade de investir e traz de volta prejuízos que, não custa lembrar, acumularam absurdos R$ 56,5 bilhões em 2014 e tornaram sua dívida insustentável (para comparar: a Petrobras reconheceu perdas da ordem de R$ 6 bilhões com corrupção).
Ainda que a Petrobras não pague a conta, a mera redução artificial de preços já impõe distorções ao mercado, por favorecer o uso do combustível fóssil mais poluente (montadoras recorreram a fraudes para mascarar a poluição do diesel nos Estados Unidos e na Europa), desestimular investimentos em energias alternativas (até da própria Petrobras) e aprofundar nossa dependência do petróleo, cujas flutuações sofrem mais influência de Irã e Venezuela que das nossas estradas.

Fonte: G1

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