LIBERDADE

Publicado em 3/04/2021 00:04

Nem mesmo ela – a liberdade – é absoluta.
Os criminosos condenados, por exemplo, têm retirada a liberdade, objetivando, em tese, a paz social.
Observe-se que o direito penal tem o direito de ‘sequestrar a liberdade’. Só isso. Nada mais. Por isso, não se justifica a tortura ou outro sacrifício que não seja tão-só e somente a liberdade. E o cárcere destinado ao cidadão delinquente só é possível se respeitar o Estado democrático: um agente para prender, um para denunciar, alguém que o defenda e, por fim, um para julgar imparcialmente.
Por outro lado, em tempos de pandemia também não é compreensível que a liberdade de uma pessoa ‘infectar’ e matar terceiras pessoas, desrespeitando as normas sanitárias.
A liberdade econômica, do mercado com ‘as leis naturais da economia’, por sua vez, não é absoluta.
Falo das relações econômicas que se estabelecem entre os homens, com supedâneo na ‘força’, em favor dos mais ‘fortes e espertos’.
A mística liberal quer trazer a ideia de que a liberdade econômica total gera necessariamente a paz e a harmonia na sociedade, mas esse conceito não é absolutamente certo e absoluto.
A ideologia liberal tem, no mais das vezes, exacerbado o ‘instinto de posse’, bem como o desejo irrefreável de ‘ter coisas’, por vezes dispensáveis à vida.
É imprescindível refazer uma crítica da ideologia liberal, no campo econômico.
A liberdade pode ser sacrificada em casos de cometimento de crime; na pandemia, para a preservação da vida e saúde alheias; na economia, para que a ‘força’ dos poderes econômicos não sucumbam a dignidade humana.
Em nome da liberdade não se pode ‘liberar’ os criminosos; ‘liberar’ aqueles que saem pelas ruas matando as pessoas e; por fim, a economia ‘liberal’ não pode ‘enterrar’ os mais pobres, justificando opressões físicas ou jurídicas e legitimando as formas de violência estrutural. A liberdade também tem limite.

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