PLURAL

Publicado em 5/10/2019 00:10

Em viagem a São Paulo, a trabalho, tive a oportunidade de rever alguns amigos: Erceli e Buim, com quem conversei, relembrando os velhos tempos, depois de 35 anos.
Não é velhice, mais constatamos que o ‘velho oeste’ se transferiu para dentro do ‘mundo virtual’.
Éramos estudantes de escola do ensino superior, numa mistura de muitas raças, credos e posições políticas, mas no terreno real não havia a prática da violência verbal.
Somos a geração que ‘apanhamos’ dos militares e, agora, ‘apanhamos’ dos ‘militares’. Ficamos ‘exprimidos’ entre a força do poder e, agora, o poder da força. O chicote é no lombo do povo. Hoje, desmantela-se o Estado e destrói-se direitos.
No atalho só o caminho da luta.
E a internet nesse processo planificou as pessoas. O ‘plural’, nesse contexto, passou a ser a violência verbal.
O ‘plural’ é discutir se a minha ‘ideologia’ é melhor que a sua. Se os meus costumes são melhores que o seu. E ter a ideologia passou a ser crime lesa-pátria, a não ser que a ‘ideologia’ coincida com a do ‘capitão de botas’. Válida só é a do ‘mito’. A realidade é uma matéria fraca e cretina, sujeitando-se a ignorância dos novos ‘pensadores’, mesmo que astrólogos, falando de economia, sociologia, antropologia (todos temas tidos como proibidos e pecaminosos, pelos ‘novos filósofos’). Credo!
Os livros e os manuais são via ‘internet’, jorrando aberrações, verborragias, violência e estupidez no mundo virtual e, no mundo real, a educação concreta é objeto de preconceito e de destruição das ciências e retirada de verbas. O mundo ‘planificou’.
A terra não é mais redonda.
A nossa luta quando jovem foi pelas Diretas Já.
Aprendemos que democracia é respeitar as diferenças e não cheirar a autoritarismo ou ‘lamber botas’.
O único é o ‘mito’ e suas ‘verdades’ aprendidas dentro dos muros dos quarteis ‘comandando a tropa’ e é objeto do autoritarismo e do espancamento da convivência plural.
Escrevo assim pensando na morte de um jornalista, crítico do Presidente, encontrado morto a pedradas em Cuiabá, relembrando também a morte de Mariele.
A convivência plural gera a paz e o espírito bélico gera a violência, que vem acompanhado de trevas, de choro e dor.
A pluralidade pressupõe o respeito e a dignidade e a unicidade na vida social e política gera morte.

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