AGRICULTURA FAMILIAR/SUBSITÊNCIA/CAMPESINATO E ORGÂNICA X LATIFÚNDIO MONOCULTOR

Publicado em 22/03/2025 00:03

O Brasil inicia a trajetória do desenvolvimento com a ‘extração do pau-brasil’, atividade costeira, que garantiu a ocupação do território, mas a ‘cana-de açúcar’ foi considerada a primeira atividade econômica, com trabalho escravo e baseada no latifúndio.
O ciclo da ‘mineração’ fez deslocar para o Sudeste o eixo dinâmico da economia, o que inclusive possibilitou atividades de suporte ao garimpo e atividades paralelas.
Na sequência surge o ‘complexo cafeeiro’, que também apresentava outras atividades relacionadas: beneficiamento, sistema ferroviário, ferrovias, portos, armazéns, transportes urbanos, comunicações, dirigindo-se um modelo mais capitalista para o campo.
Nossa colonização foi baseada na exploração tanto das riquezas naturais quanto dos nativos e escravos para cá trazidos de modo desumano, onde estão as raízes da disparidade na distribuição de renda, da riqueza e da propriedade que coloca o Brasil com os maiores índices de desigualdade no mundo.
Na década de 50 assistimos à consolidação do processo de industrialização nacional caracterizado pela indústria de bens de consumo como eixo dinâmico da economia nacional.
O sistema produtivo baseado no latifúndio monocultor com gêneros agropecuários destinados ao mercado internacional, produzidos com exploração da mão de obra, ainda persistente, mantendo o Brasil numa perene segregação social.
A partir da década de 90 foi marcado por um contexto de orientação neoliberal na condução da política pública econômica mais geral. Nesse contexto, o agronegócio, entendido como associação do grande capital, notadamente o financeiro e o latifúndio, se estruturou, mas agravou as tensões e conflitos por terra no país. O censo agropecuário de 2006 deixou patentes os fortes impactos da política neoliberal sobre a agropecuária nacional: redução do pessoal ocupado, redução de estabelecimentos agropecuários e o avanço do agronegócio. A concentração fundiária mais uma vez foi escancarada, os estabelecimentos rurais com menos de 10 hectares ocupavam, na data do censo, aproximadamente 2,4 % da área total, ao passo que estabelecimentos maiores que 1.000 hectares concentravam 44% do total.
O momento é de investimento nas pequenas propriedades rurais, na agricultura familiar, na agricultura de subsistência, no campesinato, na agricultura orgânica e todo forma de produção alternativa, pois nem só de ‘soja’ e ‘trigo’ vive o homem, lembrando que retornamos ao mapa da fome.
A alimentação básica dos brasileiros, hoje, passa a ser palavra de ordem na pauta das políticas públicas e o investimento deve priorizar a diversidade da agricultura brasileira.

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