‘INFERNO DIGITAL’
A Suécia, único país que, desde a década de 1990, buscou implementar a educação 100% digital nas escolas, voltou atrás e decidiu investir, ao longo de 2023, 45 milhões de euros (cerca de R$ 242 milhões) na distribuição de livros didáticos impressos.
A decisão, anunciada em dezembro de 2022 pela ministra Lotta Edholm, caminha na contramão da conduta do governo de São Paulo. Na última semana, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, a partir do ano que vem, serão adotados livros digitais apenas para alunos do ensino fundamental II e do ensino médio.
Após a repercussão negativa, ele disse que os colégios poderão imprimir o material, se os estudantes solicitarem.
A questão é que nenhuma campanha cultural, nenhuma terapia psicológica pode mudar a programação básica da mente, agora, calcado na “era digital”.
A geração que aprendeu mais palavras com uma máquina do que com a mãe será que pode ser “reeducada”, que pode ser “curada”?
Será possível ajudar uma criança e um adolescente a sair da “prisão digital” porque é o único mundo que conhece, porque a sua mente foi formatada de acordo com esse tipo de estímulo, de acordo com esse paradigma?
Será que há um caminho de volta do “inferno digital”?
No entanto, nos últimos anos, assistimos a alguns movimentos de reação. Vimos, por exemplo, jovens a aderirem aos “sabbaths digitais”, um dia semanal com pouco ou nenhum uso de tecnologia digital. E objetos da série “Adolescência” (é um drama que explora as complexidades e desafios da vida de adolescentes, com foco em um evento de violência extrema) e o livro A Geração Ansiosa, de Jonathan Haidt, (O autor demonstra como a “infância baseada no brincar” entrou em declínio na década de 1980 e foi substituída pela “infância baseada no celular”, acompanhada por uma hiperconectividade que alterou o desenvolvimento social e neurológico dos jovens e tem causado privação de sono, privação social, fragmentação da atenção) provocaram grandes debates e alertam para o problema.
A história é feita de marchas e contramarchas. A educação precisa ficar atenta a esses alertas ou é mera preocupação de um “velho professor” que exagera e o “inferno digital” não existe?