O Metalúrgico e a Poeira de Estrelas

Publicado em 14/02/2026 00:02

Dizem que a Sapucaí é o único lugar do Brasil onde o chão não pisa em ninguém; ele levanta. No Carnaval de 2026, o asfalto da Marquês de Sapucaí não espera apenas o bumbo da bateria, mas o peso de uma história que decidiu desaguar no mar de confete.
A Acadêmicos de Niterói assumiu o risco de transformar biografia em festa coletiva, avisando logo no refrão que “do alto do mulungu surge a esperança”.
Ver Lula na passarela é ver o encontro de duas entidades que se entendem por instinto. A escola não pede licença para narrar a trajetória do retirante, entoando com força que “Lula é o operário do Brasil”. É um enredo de calos nas mãos que agora serão cobertos por paetês. Enquanto a bateria dita o ritmo, a letra faz o acerto de contas com o passado recente, garantindo em tom de desabafo: “sem mitos falsos, sem anistia”.
Haverá quem diga que é política. E é!
Porém, no Rio, até a política precisa de um mestre-sala. O samba transmuta a realidade e faz o povo cantar que “a estrela brilha no peito da gente”, lembrando que a soberania nacional, antes de ser um conceito, é um sentimento de arquibancada.
No final das contas, o desfile será o teste definitivo de fôlego. Porque, na avenida, não importa o cargo: se o samba é bom, a única ordem que se segue é a do mestre de bateria.
O operário, enfim, vira enredo, provando que na passarela do samba, como diz a canção, “o povo é quem faz a história”.

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