O Triângulo das Bermudas: Entre o Caos, o Carnê e a “Distância” Turística

Publicado em 21/03/2026 00:03

Dizem que o calor une as pessoas, mas em Cuiabá e São José do Rio Preto, ele parece apenas fritar o juízo de quem governa. Se Cuiabá flerta com o abismo fiscal, quase “decretando falência” sob o peso de gestões que confundem o público com o privado, Rio Preto parece decidida a seguir o mesmo roteiro, mas com um verniz de “capital regional” que já não esconde as rachaduras.
A situação já surge no papo de esquina, pela sensação de paralisia. Onde o progresso deveria ser a regra, o cidadão encontra o “desgoverno” em cada esquina esburacada. Em Rio Preto, a “locomotiva” do noroeste paulista parece estar descarrilando. O prefeito, eleito sob promessas de eficiência, entrega um presente indigesto no início do ano: o aumento do IPTU. É a matemática cruel da má gestão: quando o dinheiro some na ineficiência, busca-se no bolso de quem já não aguenta mais pagar a conta.
A extrema direita, que tantas vezes bradou contra impostos e a favor da gestão técnica, revela-se, na prática, uma administração pífia. É o paradoxo do discurso: prometem a liberdade do mercado, mas entregam o peso de um Estado ineficiente e arrecadador. Cuiabá virou o exemplo do que não fazer; Rio Preto, infelizmente, parece estar se esforçando para alcançar o mestre.
Morar em Rio Preto hoje é um exercício de paciência e resistência. As gramíneas dominam o cenário urbano. É ver a cidade, que deveria ser o farol de desenvolvimento da região, mergulhada em prioridades invertidas. Enquanto o asfalto derrete e o custo de vida sobe, o morador olha para o horizonte e se pergunta: para onde foi a pujança que nos prometiam?
No fim, entre o “decreto de falência” de um lado e o “boleto salgado” do outro, o cidadão descobre que a cor da bandeira importa pouco quando o capitão do navio não sabe ler a bússola. Rio Preto não merece o que está passando, mas, como toda capital de região, ela ainda é o reflexo da nossa escolha. O problema é que o preço dessa escolha está vindo com juros, correção monetária e um gosto amargo de decepção.
No mapa desse deserto administrativo, o viajante que desce de Cuiabá rumo a Rio Preto encontra, bem no meio do caminho, Santa Fé do Sul. Outrora orgulhosa do título de Estância Turística, hoje apelidada vergonhosamente de “distância turística”, a cidade hoje parece sofrer da mesma amnésia de propósito. O que antes era motivo de festa e destino certo, agora definha sob o sol, seguindo o mesmo fluxo sem rumo dos vizinhos maiores. Parece um refluxo gastroesofágico, gerando azia e gosto amargo à população.
Santa Fé do Sul, que deveria ser o refúgio da eficiência e do lazer, caminha a passos largos para se tornar apenas mais um capítulo dessa antologia do desgoverno. É o retrato de uma região que, da capital regional ao interior turístico, vê o brilho se apagar enquanto as prioridades se perdem em gabinetes distantes da realidade das ruas. Onde havia pujança, resta a inércia; onde havia destino, sobra o abandono.

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