Treinamento que não atravessa o corpo é só informação desperdiçada

Solange das Flores Nascimento (Sol Flores) – Psicóloga psicanalista, atriz e diretora profissional e pós graduada em metodologia do ensino
Existe uma mentira confortável no mundo corporativo: a de que aprender é apenas entender. Não é.
Entender é cognitivo, aprender é corporal, emocional e relacional.
Por isso tantos treinamentos falham. Eles informam, mas não transformam,
explicam, mas não atravessam. São esquecidos antes mesmo do café seguinte.
O cérebro aprende melhor quando o corpo participa. A neurociência é clara:
experiência gera memória, não slide.
Quando alguém joga, erra, ri, se expõe, reage, algo se inscreve. Quando alguém
assiste, copia e repete, algo apenas passa.
O teatro corporativo, os jogos de interação, o cinema aplicado ao treinamento não são “metodologias criativas”, são atalhos para o aprendizado real.
No palco simbólico, o funcionário se vê, no jogo, ele se revela, na cena, ele percebe padrões que nunca apareceriam em uma palestra.
Treinamento que não envolve o corpo vira discurso, e discurso sem vivência vira
esquecimento.
Empresas que entendem isso treinam menos vezes, e colhem mais resultado, porque não ensinam regras. Provocam consciência.

