Do Local ao Regional: O Turismo em Santa Fé do Sul Precisa de Horizonte
Diz-se hoje que não se vai mais apenas à França passear, mas sim à Europa. Esse conceito moderno de “turismo regional” reflete uma mudança profunda no comportamento do viajante: ninguém cruza grandes distâncias para ver apenas um monumento isolado; busca-se uma experiência integrada, um roteiro que conecte cidades, sabores e paisagens de uma região inteira.
Infelizmente, enquanto o mundo avança nessa integração, nossa querida Santa Fé do Sul parece patinar no isolamento, vítima de uma liderança que olha muito para o próprio umbigo e pouco para o mapa regional.
É inadmissível que, enquanto destinos vizinhos se modernizam, a exemplo da retomada da “Cachoeirinha” pelo prefeito Zé Basílio, Santa Fé do Sul permaneça refém de uma gestão provinciana e de um prefeito que se apequena diante do desafio regional.
A falta de brio e de articulação política da atual liderança transformou nossa cidade em uma ilha isolada, desperdiçando o potencial de todo o Noroeste Paulista.
O que vemos não é apenas incapacidade técnica, mas uma omissão deliberada em exercer o protagonismo que o cargo exige; prefere-se o brilho fugaz de obras cosméticas ao trabalho árduo de construção de um verdadeiro polo turístico. O turismo regional em Santa Fé não está morrendo por falta de atrativos, mas por asfixia política de quem ocupa a cadeira do Executivo e se recusa a olhar além dos próprios interesses eleitorais.
O turismo é um poderoso motor de desenvolvimento capaz de gerar emprego e renda através de uma rede que envolve do pequeno artesão ao grande hoteleiro.
No entanto, em Santa Fé do Sul, o potencial de atrativos como o Aquário Municipal e o Parque das Águas Claras, corre o risco de permanecer subaproveitado se não houver uma articulação real com os municípios vizinhos. Sem essa visão estratégica, continuaremos sendo apenas um ponto isolado no mapa, enquanto poderíamos ser a porta de entrada de um dos polos turísticos mais vibrantes do estado.
O turismo regional exige pontes, mas o que vemos hoje é uma gestão que prefere muros. É hora de cobrar uma postura de líder regional de quem, por direito e dever, deveria estar guiando esse processo.
Sobre o rio que serpenteia nossa região fui pioneiro em defender a sua preservação em pesquisa científica, que culminou com um Livro “Avaliação ambiental do Parque Turístico da Areia Branca (Três Fronteiras, São Paulo): subsídio para a conservação ambiental local”, 2023, onde destaquei, já advertindo: “A psicultura é uma atividade agropecuária, portanto, quando praticada de maneira irresponsável, pode resultar em impactos negativos, conforme entrevista do pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Eliseu Losekann: (…) como a entronização, resíduos químicos, produção de fluentes e escape de animais exóticos, introdução de organismos patogênicos, alteração de biodiversidade.” (TARDIN, 2008, on line), pág. 75. Esse livro está exposto na maior biblioteca do mundo: a The New York Public Library
O futuro exige um Turismo Regional Integrado. Não somos apenas cidades isoladas; somos um ecossistema que conecta Rubineia, Esmeralda, Nova Canaã Paulista, Santana da Ponte Pensa, Santa Rita D’Oeste, Santa Clara D’Oeste, Três Fronteiras, Santa Albertina e Urânia. Ao unirmos esses atrativos sob uma governança organizada e consciente, transformaremos a preservação em nosso maior ativo econômico. É hora de converter o conhecimento científico em política pública e a união regional em prosperidade, garantindo que as águas que serpenteiam nosso solo continuem a gerar vida e riqueza para as próximas gerações.
O que antes era o vigor de uma promessa turística, agora se dissolve em silêncio.
A Santa Fé do Sul que conhecíamos parece ter ficado no mapa do passado, enquanto os ‘Grandes Lagos’ de Paulo Macedo, outrora um sonho vibrante, tornam-se apenas um espelho d’água de uma nostalgia que o tempo, aos poucos, insiste em apagar.

