Acorda Amor

Publicado em 9/05/2026 00:05

Composta por Chico Buarque em 1974 sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide, “Acorda Amor” é uma crônica irônica da repressão durante a ditadura do governo militar.
A letra narra um pesadelo onde batem à porta dos “cidadãos de bem”, metaforizando o terror das invasões domiciliares e prisões arbitrárias.
Por ironia do destino, o “ladrão” que a música pede para chamar é a própria polícia política, atualmente, a mesma.
A frase “Era a dura, numa muito escura viatura” faz alusão direta à “ditadura” e às viaturas da polícia federal, braço da repressão, que reproduz o contexto do medo de uma “Gestapo” dos tempos de Hitler.
Mas quando a música sugere “chame o ladrão” no lugar da polícia, pelo contexto de perseguição política, a inversão irônica se torna atual porque quem vem atender o suposto chamado é um ladrão, ao pé da letra.
A música retrata o pesadelo vivido pelo eu-lírico da “dura” ditadura, a insegurança e o medo de ser preso a qualquer momento, comum na época e muito mais nos dias de hoje.
Naquela época, Chico Buarque criou o pseudônimo “Julinho da Adelaide” para que a canção passasse pelos censores do regime militar e não fosse preso.
A obra de Julinho Adelaide de Holanda é considerada um hino de resistência cultural e uma forma de denúncia velada, mas direta, da falta de liberdade. Hoje, a música seria um sucesso de audiência se fosse tocada nas melhores rádios e televisões do país.
Agora, Marcelo Pimentel, um cidadão comum de Presidente Prudente, mostrou a cara ao protestar contra o regime com uma única palavra – ladrão e foi imediatamente censurado. Mas se tivesse sido Chico Buarque, enquadrado, pelo menos ele não iria se esquecer da escova, do sabonete e do violão…

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