O Teatro dos Lobos

Publicado em 13/06/2026 00:06

Em uma terra seca chamada Pátria Amada, um velho Leão de gesso acreditava ser o rei da selva, mas passava os dias rugindo para o próprio espelho. Para convencer o reino de sua bravura, ele ordenou que as hienas filmassem uma grande peça de teatro, onde ele seria coroado o salvador do mundo.
Enquanto o Leão se distraía com as câmeras de papelão, dois lobos astutos controlavam as portas do palácio de vidro.
O primeiro era o Lobo Filho, o herdeiro mimado do Leão. Ele tinha as patas sujas de chocolate e carregava sacos cheios de moedas de ouro que brotavam, misteriosamente, de lojinhas e mansões que ele dizia ter comprado com a sorte. O Lobo Filho não se importava com o reino; seu único medo era que os caçadores descobrissem o rastro de suas pegadas na lama.
O segundo era o Lobo Alquimista, apelidado naquela terra como Vorcaro. Ele não usava garras, mas sim ternos caros e uma lábia de veludo. Ele prometia ao reino uma poção mágica para curar uma peste que assolava a floresta. O Lobo Alquimista vendia o vento: assinava papéis de poções que não existiam, cobrava preços absurdos por frascos vazios e dividia o lucro com o Lobo Filho sob a mesa do banquete.
Para o povo, o Leão gritava na tela que a floresta estava salva e limpa. Nos bastidores, o Lobo Filho usava o barulho dos tambores do filme para apagar os relatórios dos guardas, enquanto o Lobo Alquimista guardava os baús de ouro em terras distantes.
Um dia, a peste passou, o filme estreou para uma plateia de moscas e a farsa ruiu. Os caçadores cercaram o palácio. O Leão de gesso quebrou ao cair do pedestal. O Lobo Filho correu para se esconder atrás da imunidade das velhas árvores. E o Lobo Alquimista, com os bolsos cheios, apenas mudou de terno e foi bater na porta do próximo rei.
Moral da história: Quem se encanta com o herói da tela esquece de olhar quem está roubando a bilheteria.

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