A INVEJA É O ELOGIO QUE O ORGULHO NÃO DEIXOU SAIR

Publicado em 13/06/2026 00:06

Solange das Flores Nascimento (Sol Flores) – Psicóloga psicanalista, atriz e diretora profissional e pós graduada em metodologia do ensino

Há emoções que vestem máscaras. A inveja é uma delas.
Por fora, parece rejeição, crítica, distância. Por dentro, é admiração reprimida, um elogio engasgado pela garganta do orgulho.
Quando alguém brilha, o brilho do outro acende uma lembrança antiga dentro de
nós: o que gostaríamos de ser, mas ainda não fomos. E em vez de aplaudir, o ego se defende.
Ele cria narrativas para não sentir inferioridade: “Ele teve sorte”, “ela se acha”, “isso eu também faria”.
A mente distorce para proteger a autoimagem, porque admitir a beleza do outro significaria reconhecer uma falta em si, mas a inveja não nasce do mal, nasce da desconexão com o próprio potencial.
Ela é o desejo travestido de crítica. É a alma dizendo: “Eu também quero viver isso”, mas o orgulho responde: “Não posso admitir”. E o elogio morre antes de nascer.
O Mecanismo Interno
Na psique, o processo é quase automático:
O outro manifesta algo que desejamos (beleza, sucesso, amor, leveza).
Nosso inconsciente identifica essa qualidade.
O ego sente ameaça, medo de ser “menos”.
Surge a inveja: uma tentativa de desvalorizar o outro para restaurar o próprio equilíbrio.
É uma defesa primitiva. Um modo distorcido de proteger o eu da sensação de inadequação.
O Caminho da Cura
O antídoto da inveja não é o silêncio, é o reconhecimento. É dizer internamente:
O que admiro no outro mostra o que também habita em mim, mas ainda não ousei expressar.”
Transformar a inveja em inspiração é um ato de maturidade psíquica. Elogiar é abrir passagem para a alma respirar. É permitir que a beleza do outro acorde a nossa.
O orgulho cala. O amor fala.
E quando o amor fala, o elogio flui natural, como quem acende uma vela sem medo de apagar a sua.

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