O ‘amor’ ao Cimento: A Cegueira Urbana Contra o Verde
A erradicação das árvores nas praças ou de várias áreas públicas, além das podas drásticas criminosas (artigo 49 da Lei 9.605/98), expõe uma alarmante ignorância ecológica por parte da administração pública.
Longe de ser um mero capricho estético, cada árvore de grande porte arrancada funciona como uma verdadeira usina hidrológica urbana. Por meio da evapotranspiração ecossistêmica, uma única árvore é capaz de bombear mais de 500 litros de água por dia para a atmosfera. Esse processo vital resfria o microclima local, limpa o ar e regula as chuvas que abastecem a nossa região.
Ao passar a motosserra nessas aliadas silenciosas, ou se realizar podas drásticas, a gestão municipal comete um atentado contra o bem-estar da população. O cimento que substitui o verde não oferece sombra, não filtra poluentes e transforma o espaço público em um deserto de calor sufocante.
Essa postura destrutiva ignora frontalmente a lei da natureza, que cobra um preço altíssimo por cada agressão sofrida por meio de enchentes e ondas de calor.
Além do desrespeito biológico, há uma flagrante violação da legislação dos homens. O ordenamento jurídico atual protege o patrimônio ambiental urbano e exige planejamento sustentável, vetando a eliminação arbitrária da vegetação nativa ou histórica.
Praças vazias de empatia revelam cidades doentes: os excluídos são também nossos irmãos e exigem políticas públicas urgentes, não o despejo: pois os desvalidos que ocupam e são expulsos das nossas praças não precisam de isolamento, mas de acolhimento; eles são nossos irmãos e merecem políticas públicas que devolvam sua dignidade, a exemplo de uma cozinha solidária, dentre várias medidas.
Ajoelhar-se nos altares das igrejas e dar as costas ao ser humano e à natureza não é adoração; é negar o próprio Cristo na terra. Em pleno século XXI é imperdoável!
Administrar uma cidade exige sensibilidade e visão de futuro, virtudes ausentes quando o progresso é medido por metros cúbicos de concreto. As praças e as árvores choram, e a sociedade exige o fim de reformas que destroem a vida para inaugurar o cinza.

