Os Miseráveis
Miséria, diz o dicionário, significa mendicância, relativa à falta de necessidades básicas para a sobrevivência de uma pessoa. Miséria significa também lástima, vergonha, apego ao dinheiro, à maldade, onde quem a pratica é chamado de miserável. Dentre tantos significados, talvez chegue a ser um paradoxo dizer que somos miseráveis por suas contradições.
Em nosso país, o que se vê mediante as crises morais: a miserabilidade do ser que chega ao poder, que cada vez mais ricos, desafia o povo e as leis (essas, com certeza, bem mais brandas, a esse tipo de miserável), nos faz refletir.
Na pirâmide social, a classe trabalhadora está no penúltimo degrau, pelo fato de terem (ainda) seus empregos. E, abaixo disso, ainda temos os que vivem abaixo da ‘linha da miséria’, que seriam os derradeiros dessa escala, com as barrigas cada vez mais vazias e sedentos de um fio de esperança, veem uma cratera a crescer à sua frente.
Os ‘miseráveis’ de hoje são populações invisibilizadas pelas novas dinâmicas de exclusão social, econômica e tecnológica, pelos arquétipos criados por Victor Hugo em seu clássico, “Os Miseráveis”, de 1862.
Enquanto no século XIX a miséria era definida pela fome extrema e pela rigidez punitiva do Estado contemporâneo se manifestando de formas multifacetadas, fica apenas a pergunta: quem são os miseráveis de hoje e até quando essas misérias persistirão no âmago desse país gigante que se apequena. Ou simplesmente os miseráveis são aqueles que aceitam passivamente a inversão de valores morais e éticos de uma sociedade decadente?

