O Brilho da Mente, a Sombra da Dúvida

Publicado em 24/10/2026 00:10

A ciência não nasce do nada. Ela exige paciência, microscópios e, acima de tudo, oxigênio financeiro. O recente levantamento da Universidade de Stanford, publicado pela Folha de S. Paulo, traz um sopro de orgulho: o Brasil alcançou 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo, um avanço de 3,4% em relação a 2025. Esse salto tem assinatura: reflete a retomada de investimentos pelo governo Lula, que voltou a irrigar com verbas a Capes, o CNPq e o FNDCT, devolvendo a dignidade a laboratórios que antes sobreviviam às minguas.
Mas o conhecimento é uma planta de raízes longas. Não sobrevive a sobressaltos. Para que essas mentes continuem iluminando o futuro, o investimento em ciência e tecnologia precisa deixar de ser um projeto de governo para se tornar uma política de Estado inegociável. Interromper essa verba é decretar o apagão do amanhã.
Essa constância se faz ainda mais urgente quando olhamos pela janela e enxergamos a névoa densa do negacionismo. O “surgimento” de vozes que questionam a eficácia de vacinas e desafiam dados climáticos não é mera ignorância; é um sintoma preocupante de uma sociedade que flerta com o retrocesso. Combater essa força obscurantista é uma batalha diária.
Celebrar nossos 1.510 heróis da ciência não é apenas aplaudir o passado recente, mas blindar o amanhã. Financiar a pesquisa é, no fundo, o nosso maior ato de soberania e resistência contra a escuridão.

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