Santa Fé já teve o seu ‘Vorcaro’ de estimação

Publicado em 13/03/2026 00:03

Por Lelo Sampaio e Silva

Rádios, jornais e TVs de todo o país e, por vezes, do mundo, têm destacado exaustivamente o caso ‘Daniel Vorcaro’, dono do Banco Master, que foi preso neste mês pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero por suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Ele é investigado por fraudes bilionárias, uso de milícia para ameaçar testemunhas/jornalistas e invasão de sistemas sigilosos.
As investigações da Polícia Federal apontam para fraudes no Banco Master com um possível rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), considerado uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil.
Políticos e autoridades de alto escalão dos Três Poderes são citados em mensagens de WhatsApp extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do banqueiro e enviadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS.
Acontece que na madrugada de 11 de novembro de 2021, dois homens foram presos por suspeita de estelionato e prática de pirâmide financeira. Eles se apresentavam como pessoas de sucesso e ostentavam vida de luxo nas redes sociais para atrair investidores, segundo a Polícia Federal de Jales. Duas mulheres ligadas aos suspeitos também foram presas.
Na internet, o empresário “banqueiro” e o diretor de sua empresa postavam fotos de viagens, além das imagens em carros de luxo e embarcações.
A investigação apontou que ambos tinham uma empresa que oferecia serviço de crédito, mas a estrutura era usada para convencer as pessoas a investir economias, com a promessa de um retorno de 6% ao mês. O esquema teria movimentado aproximadamente R$ 100 milhões em quatro anos, ainda de acordo com a PF.
Segundo o delegado da Polícia Federal de Jales, Jackson Gonçalves, a investigação começou a partir de uma denúncia de que um empresário de Santa Fé do Sul captava dinheiro do mercado e pagava juros maiores do que os oferecidos pelos bancos sociais.
“Quanto mais ele pegava o dinheiro e pagava, mais as pessoas investiam e mais propagandas eram feitas nas mídias, a ponto dele ter pagado uma matéria na Revista Forbes, como se fosse um empresário de sucesso no Brasil, bem sucedido, que andava com carros luxuosos, lanchas e aviões, e que tinha imóveis. Tudo isso enchia os olhos dos investidores, que achavam, cada vez mais, que aquele era o caminho certo. Com essa forma de agir, ele conseguia cada vez mais investidores”, explicou a PF na época.
O empresário queria iniciar em 2021 a construção de um resort em área de propriedade da prefeitura, localizada no bairro Águas Claras, com 70 mil metros quadrados, adquirida pelo poder público em 2014.
Aquele homem “poderoso” chegou a dar seus primeiros passos, inclusive era visto ao lado de pessoas ligadas ao Executivo, porém, com sua prisão, seus planos foram por água abaixo. Trata-se de uma história que muitos supostos grandões preferem apagar da memória, mas, para as centenas de famílias lesadas na região, a memória do prejuízo é a única herança que restou do falso império.
Como diz o ditado: “Quando um porco toma um castelo, o porco não vira rei. É o castelo que se transforma em um chiqueiro”.

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