Elis Regina, 80 anos

Publicado em 22/03/2025 00:03

Elis Regina, carinhosamente chamada de “Pimentinha”, por Vinícius de Moraes, é a nossa heroína que teria completado no último dia 17, 80 primaveras. Ícone da MPB, possuía uma voz que abraçava com perfeição a sua interpretação impecável provocando na plateia, um “frisson”, praticamente incontrolável.
A gaúcha de Porto Alegre traçou um legado eterno na música popular brasileira de forma autêntica. Apesar de solitária sempre soube muito o que queria.
Negou-se a ser da turma da Celly Campello, não foi da Jovem Guarda, não foi do Tropicalismo, não foi do samba, não foi do rock, não foi da bossa nova. Solitariamente, fez suas revoluções na voz e na música brasileira sabendo muito bem o que queria, misturando samba, jazz e outras bossas.
Elis decidiu se mudar para o Rio, então o centro da indústria fonográfica do país. Chegou à Cidade Maravilhosa exatamente no dia que ficaria marcado pelo golpe militar: 31 de março de 1964 e começou a fazer apresentações no Beco das Garrafas, uma travessa de Copacabana que concentrava as casas noturnas da época. No ano seguinte, Elis decidiu se mudar para a capital paulista e na Record, no programa “Fino da Bossa”, atuando com Jair Rodrigues, quando começou o sucesso.
Em 1967, ela liderou uma passeata em São Paulo, que ficou conhecida como Marcha contra a Guitarra Elétrica, um protesto de artistas — muitos deles tropicalistas — contra a “invasão da música internacional”. Mais tarde, ela própria mudaria de ideia e, assim como os artistas tropicalistas, passaria a aceitar a inclusão de instrumentos como a guitarra.
Os anos 70 marcaram sua maturidade técnica e vocal — e ela continuou se esmerando na escolha meticulosa dos repertórios, uma de suas marcas.
Sobre a ditadura militar, Elis se posicionou contra o regime, inclusive nas letras das músicas que escolhia para seu repertório. Apesar de malvista pelo regime, nunca chegou a ser presa.
Anos mais tarde, tornou-se um hino pela anistia com a interpretação de Elis de “O Bêbado e A Equilibrista”, célebre canção de João Bosco e Aldir Blanc.
Muitas músicas são lembradas pela sua excepcional interpretação como “Águas de março” (Tom Jobim); “Como nossos pais” (Belchior); “Dois pra lá, dois pra cá” (Aldir Blanc e João Bosco); “Fascinação” (versão); Tiro ao Álvaro (Adoniran Barbosa); “Opinião” (Zé Keti).
Com personalidade forte e repertório musical repleto de sucessos, Elis Regina encantou fãs no Brasil e no mundo.

Última Edição