O rei está nu
Algumas das estórias do dinamarquês Hans Christian Andersen são cheias de humor e ironia, como aquela do rei vaidoso que gostava de se vestir elegantemente.
Havia um rei tirano, onipotente, narcisista com atributos de pessoa vaidosa, egocêntrica e convencida que adorava roupas bonitas.
Duas raposas ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e viram nisso uma oportunidade de se enriquecerem às custas da vaidade da sua majestade.
A vaidade torna tolas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores.
Assim as espertalhonas foram até o palácio real e anunciaram-se na portaria, apresentando o seu cartão de visitas: “estilistas de alta costura especialistas em tecidos mágicos”.
O rei conhecia todas as variedades de tecidos, mas nunca ouvira falar de tecidos mágicos. Ficou curioso e ordenou: “Falem-me sobre o tecido mágico”.
– Majestade, diferentemente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo.
O rei ficou encantado e imediatamente contratou as modistas para fazer os cortes do manto novo da realeza com o material que só os inteligentes poderiam ver…
No cerimonial do palácio aconteceu a estreia da toga nova do rei. Os ministros reais, para que não se aparentassem burros, todos teceram os mais altos elogios pelo incomparável e belo manto da sua realeza.
A mídia, a televisão e os jornais convidaram todos os cidadãos para assistirem à solenidade para que todos os inteligentes vissem o rei em sua nova roupa.
Mas no meio da multidão um encarapitado menino, espantado, deu o seu veredito ao gritar em alto e bom som: “O rei está pelado!”.
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. Seguido pelo grito enfurecido da multidão.
“Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É um subversivo, a serviço das elites!”
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força e o levaram preso para a Papuda.

