MEDICINA, O ALERTA
A sociedade está sensibilizada com os resultados da recente avaliação dos cursos de Medicina. Nesse sentido, lembro que quando candidato a vereador nas últimas eleições levantei a bandeira da necessidade de existir um Hospital Universitário para o Unifunec, nossa fundação pública. Defendi isto, pois sabia que uma instituição de ensino dessa natureza não tem – e não pode ter – o cunho eminentemente mercantil presente nas instituições de ensino privadas.
Sabemos que o Unifunec tem compromisso e responsabilidade sociais, no sentido de fornecimento de ensino de qualidade e presteza inequívocas à população, pincipalmente aos mais carentes. Nesses termos, ao reforçar que cursos de Medicina não devem ser palco exclusivo do interesse privado, mas ir além de “negócio do mercado educacional”, entendo que estes devem se aliar aos termos de políticas sociais abrangentes, desviando do modelo de “máquina de ganhar dinheiro”.
Em todos os parâmetros, um curso de Medicina não deve ser visto como “capricho” ou “ostentação social” e muito menos espaço para improviso acadêmico.
Definitivamente, formar médicos é falar da incontornável responsabilidade sobre vidas humanas, promovendo o bem-estar físico, mental e social da população. Assim, é inaceitável que dezenas de cursos apresentem desempenho insatisfatório (notas 1 e 2) e continuem funcionando como se nada estivesse acontecendo. Pois, quando uma instituição falha especificamente na formação médica, o prejuízo não é estatístico, é humano, é clínico, é, sobretudo, social.
Não tem como negar: a Medicina é uma área que exige excelência! Portanto, deve estar estritamente vinculada a avaliações científicas e pedagógicas responsáveis, como todas as demais áreas. Como é, aliás, o caso do Exame da OAB. Avaliações externas como o Enamed existem para apontar e exigir padrões irrecusáveis de qualidade, mas, principalmente, de responsabilidade técnica e profissional. Nesse sentido, tanto para a sociedade quanto para a comunidade, e para os futuros pacientes dos médicos ali diplomados, é crucial saber exatamente onde o curso se posiciona e a qualidade da formação do profissional colocado no mercado.
Agora, o Unifunec tem a oportunidade de transformar este momento em um exercício de corajosa transparência, divulgando seus objetivos e, mais importante, seus planos de ação detalhados para as eventuais melhorias identificadas na atual avaliação.
Isto é incontornável, pois na avaliação Enamed, o Unifunec recebeu a preocupante nota 2. Todavia, e apesar do baixo conceito, sua Diretoria tem a oportunidade de reafirmar seu compromisso responsável com a qualidade e a segurança da formação médica oferecida. Mas, na busca pelos “propósitos altaneiros” da formação médica — a cura, o cuidado e a ética inabalável — a diretoria do Unifunec deve contar com o apoio de todas as autoridades públicas locais. E também com a sociedade civil, pois todos os representantes públicos, especialmente políticos, prefeito, vice e vereadores locais, têm o papel de fiscalizar e garantir que a instituição entregue a formação de qualidade que a população de Santa Fé do Sul e região deseja, precisa e, mais importante, merece.
A sociedade aguarda!

