O FEITIÇO VIRA CONTRA O FEITICEIRO

Publicado em 17/01/2026 00:01

O ex-presidente, que um dia se achou acima das leis, agora se encontra atrás das grades. Acusado de tentar dar um golpe de Estado, ele enfrenta a justiça que antes ignorava. Ironia do destino, não?
Enquanto esteve no poder, ele não teve piedade. Defendeu torturadores, chamou de “coisa de bandido” os gritos dos que sofriam em porões sujos. Atacou os Direitos Humanos com um sorriso cínico, como se fossem uma fraqueza. “O mundo gira ao meu favor”, dizia.
Na pandemia da Covid-19, ele se vangloriou de ser atleta, minimizando a doença: “É só uma gripezinha”. Imitou, em praça pública, gente morrendo, faltando ar, como se fosse uma piada. Seu governo virou as costas para a Amazônia, deixando de entregar respiradores para quem mais precisava. O resultado foi um rastro de dor e morte.
A falta de empatia revelou não um presidente, mas um monstro, avesso à compaixão e à solidariedade que são tão importantes hoje. Ele, que se mostrou incapaz de se colocar no lugar dos outros, agora se encontra isolado, sem a máscara do poder.
E agora, preso, ele descobre que os Direitos Humanos também existem para quem um dia os desprezou. Pede proteção, clama por justiça, quer ser tratado com dignidade. Tarde demais.
A cela é fria, o silêncio é pesado, e a realidade o golpeia: “O homem é condenado a ser livre; porque uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo o que faz” (Jean-Paul Sartre). Ele, que negou a humanidade aos outros, agora implora por ela. O mundo não capota, apenas segue seu curso – e a história julga, é implacável.

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