O Risco da Privatização Silenciosa em Santa Fé do Sul

Publicado em 16/05/2026 00:05

A entrada de Santa Fé do Sul no programa estadual Universaliza SP sem uma discussão ampla com a sociedade civil e a Câmara Municipal levanta preocupações sobre a transparência e o futuro da gestão da água e esgoto no município. Embora o governo apresente o projeto como um suporte técnico para atingir metas federais, críticos e especialistas apontam que ele funciona como um “corretor de interesses privados”.
O Universaliza SP pode “Induzir à Privatização”: O modelo do Universaliza SP foca em estruturar concessões regionalizadas e Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que na prática substitui autarquias municipais por empresas focadas no lucro.
Pode representar “Aumento de Tarifas”: Experiências de privatização no setor de saneamento mostram que a necessidade de remunerar acionistas privados pode levar ao encarecimento das contas de água para a população.
A “Perda de Controle Local”: Ao integrar consórcios regionais comandados pelo Estado, o município perde autonomia sobre a gestão direta de seu patrimônio hídrico, dificultando a fiscalização social e o controle de preços.
A “Precarização dos Serviços”: Críticos argumentam que empresas privadas tendem a reduzir investimentos em áreas rurais ou periféricas de menor lucratividade, focando onde o retorno financeiro é maior.
O “Déficit Democrático”: A adesão “por gabinete”, sem audiências públicas robustas, impede que a população de Santa Fé do Sul avalie se a entrega de um bem comum à lógica de mercado é realmente a melhor saída para a cidade
A palavra empenhada pelo superintendente do Saae tenta pacificar os ânimos, mas esbarra em um silêncio ensurdecedor: se a privatização não está no horizonte, o que explica a presença digital e documental de Santa Fé do Sul no programa Universaliza São Paulo?
Não se entra em uma fila de concessões por acaso, nem se permanece nela sem um propósito claro de transferência de gestão. Negar a privatização enquanto se mantém o município inserido em um mecanismo desenhado especificamente para o repasse à iniciativa privada é, no mínimo, uma subestimação da inteligência do cidadão.
O Saae é um patrimônio do povo santafessulense. Água não é apenas mercadoria; é soberania. Se o discurso é de preservação da autarquia, que ele seja acompanhado pela imediata e formal retirada da cidade deste programa e demonstrada ao povo através da imprensa, até porque a colocação do nome do município fora feita às escondidas, às canhas, por razões de nonada. Caso contrário, as palavras do superintendente não passarão de uma cortina de fumaça para ocultar o que os documentos já revelam: o futuro da nossa água está sendo escrito à revelia de quem a consome e paga por ela.

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