O Sol que Brilha nas Águas Também Cria Sombras

Publicado em 18/07/2026 00:07

Quem conhece Santa Fé do Sul sabe que o azul do rio Paraná não é uma cor qualquer; é um espelho de vaidade.
A cidade, imponente, aniquila quando o assunto é turismo. Ela dita o ritmo das águas, atrai barcos, levanta pousadas e faz o comércio pulsar com a energia de quem se sabe gigante. É um cartão-postal moldado com o orgulho de uma terra que aprendeu a transformar a natureza em festa e faturamento. Andar por suas avenidas limpas e floridas é respirar a sensação de que, aqui, o futuro deu certo e o turismo é uma máquina perfeita, imune às intempéries do interior paulista.
Mas as águas calmas das praias e grandes eventos, às vezes, escondem correntezas profundas. O vento que sopra de Brasília trouxe uma tempestade de números que chocou a calmaria local: R$ 3,5 milhões, R$ 5,075 milhões, R$ 1 milhão.
No papel, verbas carimbadas para inflar ainda mais o nosso turismo. Na realidade das manchetes judiciais, cifras que arrastaram o nome da nossa estância para o centro do caso Valdemar Costa Neto.
O contraste é doloroso.
A mesma engrenagem que projeta Santa Fé para o topo do Estado agora se vê enredada em um inquérito da Polícia Federal e sob o bloqueio determinado pelo Supremo Tribunal Federal.
O morador, que assiste ao vaivém dos turistas e celebra o brilho da sua terra, agora se pega olhando para as grandes obras e eventos com uma ponta de desconfiança. Ver o motor do crescimento municipal sob a lupa da Justiça gera um nó no peito de quem trabalha honestamente para manter a cidade linda. Santa Fé do Sul não precisava de arranjos de bastidores para ser grande; seu potencial natural e seu povo já faziam esse trabalho.
O Sol continua brilhando nas águas do reservatório, mas, por enquanto, os olhos da população se dividem entre a beleza das margens e as nuvens carregadas que vêm dos tribunais.

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