Argentino fala a O Jornal sobre a questão do consumo de carne de burro em seu país
Por Lelo Sampaio e Silva
A crise econômica na Argentina parece estar fazendo com que alguns consumidores da tão elogiada carne bovina daquele país passem a mudar seus hábitos alimentares.
Como é possível observar através dos noticiários aqui no Brasil, com a carne bovina cada vez mais cara, parte da população passou a buscar alternativas mais baratas, fazendo com que a carne de burro entrasse no mercado.
De acordo com o jornal argentino Página12, a forte alta no preço da carne bovina transformou o produto em item de luxo, frustrando promessas de campanha de Javier Milei de redução de custos e impactando diretamente o consumo.
O Jornal conversou com o argentino Miguel Angel Camino, que explicou que trata-se mais de uma difamação por parte da oposição do que a realidade.
Miguel, que é natural de Buenos Aires, disse que, diferentemente do que os jornais de todo o mundo têm noticiado, a venda de carne de burro, embora esteja acontecendo em algumas cidades de seu país, não é a única opção de consumo de proteína animal.
Sabe-se que nos últimos meses os preços subiram de forma estrondosa no mercado, com aumentos superiores a 10% em apenas um mês. Cortes populares chegaram a ultrapassar, em alguns casos, 25 mil pesos argentinos (cerca de R$ 125), o que provocou uma queda de aproximadamente 20% no consumo.
Desta feita, algumas famílias passaram a reduzir a compra de carne bovina e partiram inicialmente para opções mais baratas, como frango e carne suína, que acabaram também registrando aumento de preços.
Há relatos de que, com a escalada dos preços, alguns açougues passaram a buscar alternativas para manter as vendas, ou seja, a oferta da carne de burro, comercializada por cerca de 7,5 mil pesos o quilo (aproximadamente R$ 37,50), valor substancialmente inferior ao da carne bovina.
Segundo o Via Metropolis, a iniciativa é liderada pelo produtor rural Julio Cittadini, responsável pelo projeto “Burros Patagones”. Segundo ele, a demanda surpreendeu. “O estoque inicial, que deveria durar uma semana, esgotou em menos de dois dias”, disse.
Contudo, Miguel Camino explica que a informação é verdadeira. “Vi vídeos e para mim foi uma grande surpresa. A carne de burro é consumida na Patagônia e os produtores rurais querem promover o consumo de carne de burro”, pontuou ele.
“Posso afirmar que pelo menos 50 % dos argentinos estão vivendo na pobreza, uma vez que o governo anterior deixou no país uma terrível inflação. Há escassez de trabalho, os salários estão muito baixos, bem como há a falta de investimentos estrangeiros. Antigamente os argentinos comiam muita carne bovina e hoje estamos migrando para a carne suína, que está muito mais barata, mas o que vejo é que a notícia de que estamos consumindo carne de burro é mais notória em outros países do que aqui na própria Argentina. Vivemos uma crise há pelo menos 70 anos, mas tenho fé de que as coisas irão melhorar”, finalizou o portenho Miguel Angel Camino.


