Colaboradores não adoecem sozinhos. Eles adoecem dentro de sistemas

Solange das Flores Nascimento (Sol Flores) – Psicóloga psicanalista, atriz e diretora profissional e pós graduada em metodologia do ensino
Quando um funcionário adoece, a pergunta errada é: “o que ele tem?”
A pergunta correta é: “em que sistema ele está inserido?”
Na psicologia, nenhum sintoma nasce isolado, todo sintoma é resposta a um contexto.
Ansiedade excessiva não surge do nada, Burnout não é falta de resiliência,
desmotivação não é preguiça. São sinais de um ambiente que exige demais e escuta de menos.
Empresas gostam de falar em “capital humano”, mas tratam emoções como ruído. Gostam de metas, mas ignoram limites. Gostam de produtividade, mas não entendem de presença.
O corpo, então, cobra.
A arte tem uma função brutalmente honesta nesse cenário: ela revela o que o sistema tenta esconder.
No jogo, aparece a competitividade adoecida. No teatro, surge o medo da exposição.
No cinema, o funcionário se vê e se reconhece.
E quando alguém se reconhece, algo muda. Não é entretenimento. É consciência aplicada.
Empresas que entendem isso param de culpar indivíduos e começam a rever estruturas.
E isso é maturidade institucional.

